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7 de maio de 2011
Descanse em paz meu amigo...
Sabe aqueles homens que nasceram pra servir? Aqueles que tem o coração maior que tudo? Aqueles que dividem o muito pouco que tem com todos? Aqueles raros homens que encontraram a felicidade dentro de seus corações? Aqueles homens que quando sorriem a gente tem a certeza que tudo vale a pena?
Eu tive o imenso privilégio de ter conhecido e me tornado amiga de um homem assim. Não sei o o nome dele...eu o chamava de Sir ou Warleader. Era como ele era conhecido. Ontem, ele foi embora, porque a missão dele aqui terminou. É, os bons vão embora mais cedo!
Ai que saudade do senhor, Warleader! O Kay, como o senhor bem sabe, perdeu o pai, perdeu o chão!
Nós te amamos muito Sir, e iremos cuidar da sua linda família. Fique tranquilo! Eu te prometo isso!
Vá em paz!
E muito obrigada por me receber sempre de sorriso e braços abertos e a coca geladinha!
Descanse em paz meu querido! Descanse me paz...
4 de maio de 2011
Juntando os pedaços
Não me lembro se eu comentei por aqui, minha memória quase que foi pro ralo completamente, mas graças a Deus parece que tem uma esperança no fundo do poço de que ela volte firme e forte! Amém!
Bom, o que eu não me lembro se comentei foi sobre como cheguei aqui em Taiwan há 3 anos.
A gente morava na Suíça onde o Pe era cientista em um Cooportate Research de uma empresa de lá. Aí ele foi convidado pra vir trabalhar aqui e como a beleza da Suíça nunca encontrará o coração do povo daquele país, a gente se mandou pra Ásia. Só que...eu iria voltar pra Europa, pra França pra ser mais específica!
Eu ficaria por aqui só por uns meses até arranjar tudo pro Pe e depois iria pra França fazer doutorado! Então vim quase que de turista! Desmontei acampamento e deixeiminhas tralhas, digo, minhas coisas, no porão do apartamento de um amigo. Na Suíça os apartamentos tem um cômodo até grande no subsolo onde se guarda tralhas, vinho, etc... No meu eu guardava o que não tinha espaço adequado no apartamento como malas, roupas de inverno e/ou verão, dependendo da estação, enfeites de Natal e por aí vai. Bom, não incomodei tanto o meu amigo e a família dele tendo minhas coisas por lá por tanto tempo. Valeu Paco!
Então, como a ida pra França furou devido a morte do meu futuro orientador, eu fui que fui ficando e nunca fiquei tão feliz por ver um planejamento não dar certo. Normalmente achamos que só ganhamos quando ganhamos...mas na verdade a gente ganha muito perdendo também e eu fui incluída nessa filosofia de butequin!
Ainda na Suíça, arrumando a mudança, eu desmontei minha "little cute home" em 3 setores:
Nas coisas do Pe, todas as roupas, livros, CDs e tralha pessoal. O Ele é minimalista!
E o que ficou na Suíça...70% das minhas roupas, sapatos e bolsas. Todos os livros que eu poderiam usar no doutorado, alguns souvenirs que me são mais queridos, alguns quadros e a tralha pessoal que somaram 10 caixas.
Quando nós mudamos dos Estados Unidos pra Suíça, nos contratamos uma empresa pra fazer todo o serviço. Eu, totalmente na ignorância, achei que iria ficar de longe assistindo or supervisionando e nunca me arrependi tanto de algo. Como muito bem disse minha mãe, pra empresa é só mais algumas caixas, mas pra mim...pô, eles estavam embalando e carregando a minha vida. Nunca mais deixarei essa história repetir!
Então na Suiça, a empresa somente embalou os móveis e todo o restante fui eu com uma ajuda esporádica do outro morador da casa. Organizei tudo, cômodo por cômodo, sem stress! Tá bom, sem muito stress e com o devido cuidado que minhas coisas mereciam, afinal estavam comigo ali na lida por mais de 4 anos!!
Resumindo....Aconteceu que não voltei pra Europa e não sei porque, minhas coisas acabaram ficando por lá por tanto tempo. Eu me sentia despedaçada como disse minha amiga Giovana. Estava com coisas no Brasil, na Suiça, em Taiwan, trabalhando na Nigéria, estudando na Austrália e Irlanda. Ufa!
Sério mesmo, eu me mudei pra cá somente com uma mala de roupa e fiquei assim, durante 3 anos até que resolvi falar com o Pe que eu queria reunir minhas coisas num único espaço, que seria aqui em Taiwan, onde é a minha casa.
Como que uma canceriana vive sem as caixinhas, os trenzin que eu gosto tanto? Eu sou barroca, não tem jeito!
Demoraram mais chegaram! As caixas chegaram 3 dias depois que eu embarquei pra Nigéria, janeiro passado e só fui abri-las em março, quando cheguei do Brasil. O que importa é que as minhas tralhas estão novamente comigo e meu lindo Kilin Gabbeh também que eu trouxe do Brasil dentro da mala! Esse tapete tem o passaporte bem carimbado!
Parece que estou juntando meus pedacinhos... Foi extremamente prazeroso abrir caixa por caixa, revendo e cheirando meus livros, separando as roupas que já não usaria mais, limpar meus sapatos e bolsas...e as caixinhas, as várias caixinhas com meus badulaques que adquiri pelos caminhos que me levam. Ai que saudade de mim que eu estava!
Foi e está sendo muito bom, juntar meus pedaços e começar de novo outra vez. Taí algo que sei fazer bem, começar de novo. E pior que quando eu começo de novo é num país estranho, com gente estranha e língua estranha. Mas aí é que mora a beleza desse incansável começar. É tornar o país estranho sua casa, a gente estranha, seus amigos e a língua estranha....well, no caso do Mandarim, será língua estranha por muitooooo tempo!
Bom, o que eu não me lembro se comentei foi sobre como cheguei aqui em Taiwan há 3 anos.
A gente morava na Suíça onde o Pe era cientista em um Cooportate Research de uma empresa de lá. Aí ele foi convidado pra vir trabalhar aqui e como a beleza da Suíça nunca encontrará o coração do povo daquele país, a gente se mandou pra Ásia. Só que...eu iria voltar pra Europa, pra França pra ser mais específica!
Eu ficaria por aqui só por uns meses até arranjar tudo pro Pe e depois iria pra França fazer doutorado! Então vim quase que de turista! Desmontei acampamento e deixei
Então, como a ida pra França furou devido a morte do meu futuro orientador, eu fui que fui ficando e nunca fiquei tão feliz por ver um planejamento não dar certo. Normalmente achamos que só ganhamos quando ganhamos...mas na verdade a gente ganha muito perdendo também e eu fui incluída nessa filosofia de butequin!
Ainda na Suíça, arrumando a mudança, eu desmontei minha "little cute home" em 3 setores:
- coisas que iriam pro Brasil, num container
- coisas que viriam pra cá, com o Pe
- coisas que ficariam na Suíça pra depois serem levadas pra Lyon, França
Nas coisas do Pe, todas as roupas, livros, CDs e tralha pessoal. O Ele é minimalista!
E o que ficou na Suíça...70% das minhas roupas, sapatos e bolsas. Todos os livros que eu poderiam usar no doutorado, alguns souvenirs que me são mais queridos, alguns quadros e a tralha pessoal que somaram 10 caixas.
Quando nós mudamos dos Estados Unidos pra Suíça, nos contratamos uma empresa pra fazer todo o serviço. Eu, totalmente na ignorância, achei que iria ficar de longe assistindo or supervisionando e nunca me arrependi tanto de algo. Como muito bem disse minha mãe, pra empresa é só mais algumas caixas, mas pra mim...pô, eles estavam embalando e carregando a minha vida. Nunca mais deixarei essa história repetir!
Então na Suiça, a empresa somente embalou os móveis e todo o restante fui eu com uma ajuda esporádica do outro morador da casa. Organizei tudo, cômodo por cômodo, sem stress! Tá bom, sem muito stress e com o devido cuidado que minhas coisas mereciam, afinal estavam comigo ali na lida por mais de 4 anos!!
Resumindo....Aconteceu que não voltei pra Europa e não sei porque, minhas coisas acabaram ficando por lá por tanto tempo. Eu me sentia despedaçada como disse minha amiga Giovana. Estava com coisas no Brasil, na Suiça, em Taiwan, trabalhando na Nigéria, estudando na Austrália e Irlanda. Ufa!
Sério mesmo, eu me mudei pra cá somente com uma mala de roupa e fiquei assim, durante 3 anos até que resolvi falar com o Pe que eu queria reunir minhas coisas num único espaço, que seria aqui em Taiwan, onde é a minha casa.
Como que uma canceriana vive sem as caixinhas, os trenzin que eu gosto tanto? Eu sou barroca, não tem jeito!
Demoraram mais chegaram! As caixas chegaram 3 dias depois que eu embarquei pra Nigéria, janeiro passado e só fui abri-las em março, quando cheguei do Brasil. O que importa é que as minhas tralhas estão novamente comigo e meu lindo Kilin Gabbeh também que eu trouxe do Brasil dentro da mala! Esse tapete tem o passaporte bem carimbado!
Parece que estou juntando meus pedacinhos... Foi extremamente prazeroso abrir caixa por caixa, revendo e cheirando meus livros, separando as roupas que já não usaria mais, limpar meus sapatos e bolsas...e as caixinhas, as várias caixinhas com meus badulaques que adquiri pelos caminhos que me levam. Ai que saudade de mim que eu estava!
Foi e está sendo muito bom, juntar meus pedaços e começar de novo outra vez. Taí algo que sei fazer bem, começar de novo. E pior que quando eu começo de novo é num país estranho, com gente estranha e língua estranha. Mas aí é que mora a beleza desse incansável começar. É tornar o país estranho sua casa, a gente estranha, seus amigos e a língua estranha....well, no caso do Mandarim, será língua estranha por muitooooo tempo!
27 de janeiro de 2011
Nigéria, oeste Africano!
Os geradores estão gritando sofrívelmente há dias, com apenas algumas horas de descanso. O barulho é ensurdecedor, e as vezes, muitas vezes, é preferível o calor empoeirado pelos vários meses sem chuva que a delicia de um ar-condicionado ou ventilador espantando o suor.
O barulho das buzinas dos milhares de carros e motos se misturam com o volume altíssimo da música que vem de todos os cantos, de todas as TVs. As vozes sempre alteradas tentam ganhar o ouvido do outro, enquanto os vendedores gritam se debatendo na tentativa de vender seus produtos. E tudo acalentado pelo choro histérico dos geradores.
Pessoas andam de um lado pra outro tentando encontrar o próprio destino, e as andanças começam as 4 da manha e parecem que não param nunca! Uma perseguição sem fim e sem meta. As vans amarelas em terrível estado de conservação, estão cheias as 4 da manhã. A poeira sufoca as 4 da manhã. No meio disso, o contraste das roupas multi-coloridas da população Nigeriana e os imensos turbantes usados diariamente pela maioria das mulheres parecem que dão esperança a uma vida que esta por um fio.
As crianças jogam futebol, tentando escapar dos profundos buracos e do lixo deixado nas ruas. Nos tampões das valas de esgoto, mulheres fazem tranças uma nas outras, se embelezando para seus amores. As igrejas evangélicas dominam a cena, e estão sempre lotadas com seus fieis implorando a Deus por dinheiro. Dinheiro é a coisa mais importante na vida de um Nigeriano. Eles dizem que com dinheiro, eles compram felicidade, amor, saude e todo o resto.
Os mercados de rua e lojas se confundem num emaranhado confuso mas vital pra realidade local. Todo espaço é ocupado na luta diária da sobrevivência desse povo sofrido, guerreiro, forte, alegre e extremamente otimista.
Na televisão, a musica Nigeriana impera e os Yoruba mantêm seus rituais através de filmes, músicas e novelas que retratam a realidade deles, cheia de vudu e mandingas!.
Arroz com molho de tomate é a comida de todo dia. Arroz e molho de tomate, mais nada. As vezes um peixe seco, deixado ao ar livre por dias ou um pedaço de frango é servido. Não importa o local, o evento ou a hora, arroz com molho de tomate esta sempre presente. As vezes uma fruta aparece timidamente na banca de algum vendedor, mas é raro e muito caro.
Água não tem. Água encanada ainda é uma raridade nas casas de classe média. A cisterna é uma constate no dia-a-dia desses homens e mulheres que trabalham num descompasso frenético quase que 24 horas por dia. Eletricidade também não tem, nem mesmo nos bairros ricos da Ilha de Vitória onde os estrangeiros e Nigerianos ricos vivem. Eletricidade no sexto maior país produtor de petróleo do mundo, ilumina casas e vidas somente 2 ou 4 horas por dia, ou nem isso!
Assim é Lagos e assim é a Nigéria pra mim. Um país, uma cidade, um povo do oeste africano!
O barulho das buzinas dos milhares de carros e motos se misturam com o volume altíssimo da música que vem de todos os cantos, de todas as TVs. As vozes sempre alteradas tentam ganhar o ouvido do outro, enquanto os vendedores gritam se debatendo na tentativa de vender seus produtos. E tudo acalentado pelo choro histérico dos geradores.
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| Lagos, Nigéria, oeste africano! |
Pessoas andam de um lado pra outro tentando encontrar o próprio destino, e as andanças começam as 4 da manha e parecem que não param nunca! Uma perseguição sem fim e sem meta. As vans amarelas em terrível estado de conservação, estão cheias as 4 da manhã. A poeira sufoca as 4 da manhã. No meio disso, o contraste das roupas multi-coloridas da população Nigeriana e os imensos turbantes usados diariamente pela maioria das mulheres parecem que dão esperança a uma vida que esta por um fio.
As crianças jogam futebol, tentando escapar dos profundos buracos e do lixo deixado nas ruas. Nos tampões das valas de esgoto, mulheres fazem tranças uma nas outras, se embelezando para seus amores. As igrejas evangélicas dominam a cena, e estão sempre lotadas com seus fieis implorando a Deus por dinheiro. Dinheiro é a coisa mais importante na vida de um Nigeriano. Eles dizem que com dinheiro, eles compram felicidade, amor, saude e todo o resto.
Os mercados de rua e lojas se confundem num emaranhado confuso mas vital pra realidade local. Todo espaço é ocupado na luta diária da sobrevivência desse povo sofrido, guerreiro, forte, alegre e extremamente otimista.
Na televisão, a musica Nigeriana impera e os Yoruba mantêm seus rituais através de filmes, músicas e novelas que retratam a realidade deles, cheia de vudu e mandingas!.
Arroz com molho de tomate é a comida de todo dia. Arroz e molho de tomate, mais nada. As vezes um peixe seco, deixado ao ar livre por dias ou um pedaço de frango é servido. Não importa o local, o evento ou a hora, arroz com molho de tomate esta sempre presente. As vezes uma fruta aparece timidamente na banca de algum vendedor, mas é raro e muito caro.
Água não tem. Água encanada ainda é uma raridade nas casas de classe média. A cisterna é uma constate no dia-a-dia desses homens e mulheres que trabalham num descompasso frenético quase que 24 horas por dia. Eletricidade também não tem, nem mesmo nos bairros ricos da Ilha de Vitória onde os estrangeiros e Nigerianos ricos vivem. Eletricidade no sexto maior país produtor de petróleo do mundo, ilumina casas e vidas somente 2 ou 4 horas por dia, ou nem isso!
Assim é Lagos e assim é a Nigéria pra mim. Um país, uma cidade, um povo do oeste africano!
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