25 de abril de 2011

Super tédio


Cara, que tédio! Daqueles com um T bem grande pra você, manja!?
Tô aqui arrumando mil desculpas pra não acabar com esse tédio! O tempo tá nublado! Se eu saio, encontrarei todos os lugares cheios de gente. Aqui já sabe né, isso é mandatório, e não importa se é Domingo, feriado ou preto na folhinha, todos os bares, cafés, parques são lotados.
Também tô procurando coisa pra fazer em casa e...ontem a noite acabei a arrumação do meu guarda-roupa, a casa tá limpa, a louça lavada...eu vou comprar estantes novas pro meu office, mas eu vou esperar o Pê voltar da China, porque senão pioro a minha Fibromialgia arrastando coisas pela casa. Já escolhi o que eu quero!
Eu sei que se eu procurar eu acho coisa pra fazer, mas pra ser bem honesta...tô afim não! Acho que vou nutrir o tédio até amanhã as 5:30, quando tenho aula de Pilates!

Cara que porre!!!

Frangipani


Atendendo ao pedido da minha amiga Rejane, apresento minha flor favorita, a linda e singela Frangipani.
A primeira vez que eu vi essa flor, foi aqui em Taiwan, em Jungli, no jardim da Delta onde o Pe trabalha! Eu me encantei pela simplicidade do "design", pelo perfume maravilhoso que essa florzinha exala.



De acordo com o Wikipedia, a Frangipani é originária das Américas, mas eu nunca tinha visto no Brasil até uns 2 anos atrás. Pensa se eu iria ver um trenzin lindo desse e passar batido?! Nunca!


Em alguns países da Ásia essa flor é associada a templos, outros a cemitérios mas sempre tem uma ligação espiritual.


Existem 7 diferentes espécies, diferenciando a cor, o matiz e em uma das espécies, a pétala é mais fina e pontuda. Eu prefiro o "design original", essa amarela da primeira foto. Uma pétala sobrepondo a outra sem tirar o brilho e o charme das outras pétalas que compõem essa perfeição!


Toda vez que eu encontro essas lindezas pela frente, eu pego algumas e trago pra casa e ofereço ao meu altarzinho sincrético! Realmente elas tem um "q" de sagrado!


Mas o  que eu acho legal é que as flores se desprendem dos cachos depois de alguns dias enfeitando a árvore frondosa que as sustentam, como se elas estivessem ousando uma vida independente. Elas lançam vôo, sabendo que é necessário a mudança, que é necessário o ousar, mesmo sabendo ou não, que irão ser pisoteadas por alguns desatentos, ou admiradas por alguns atentos.

 
E olhar pra essa flor e um sorriso imediatamente aparece na minha cara, eu cheiro essa coisinha linda e eu transcendo, viajando pelas esquinas da minha alma. Yep, essa flor tem um poder imenso sobre mim e eu sou imensamente agradecida por poder apreciá-la.

Obrigada menina bonita! Eu ganho meu dia quando eu te encontro por aí...

24 de abril de 2011

Feliz Páscoa


Desejando a todos uma 

Páscoa feliz 

e

abençoada!

Sábado vencido!

Mais um sábado aponta na folhinha. O dia estava nublado com cara de poucos amigos, mas sabe aquela história do limão, quando a vida te oferece limão, faça limonada? Então, limonada não saiu, mas saiu daiquiri! Muito melhor!

A tarde desse sábado começou com uma puxada aula de Pilates que comecei a fazer há 2 semanas. Começou assim: Há uns 5 meses eu vi que abriu aqui perto de casa um centro de Pilates. Peguei o telefone no luminoso verde, cruzei os dedos an esperança de alguém que falasse ingles atendesse o telefone.
Liguei várias vezes, e nada de alguém atender. Fui pra Nigéria, fui pro Brasil, alguns meses se passaram e eu na tentativa de começar a ser esticada. E como eu sou esticada naquele lugar, Deus do céu!

Há algumas semanas, vindo do Carrefour, eu vi que tinha luz acessa e liguei na hora. Advinha? Ninguém atendeu. Aí perdi as esperanças. Mas não é que logo logo a dona do espaço retornou minha ligação e melhor, ela fala inglês. Já morou e estudou nos USA da vida. Bingo! Marquei horário e fui apresentada a essa atividade física criada por Joseph Pilate no início do século 20 e que tem milhões de adeptos no mundo todo.

A instrutora é um doce de criatura. Eu tenho aulas 2 vezes por semana, as terças a noite e aos sábados a tarde. As terças é aula particular. Somente Pei, a instrutora, e eu naquela sala cheia de equipamentos que mais parecem sala de tortura e não algo que irá contribuir para o aumento da força, flexibilidade e controle do corpo.


Aos sábados é aula coletiva, 5 pessoas na sala e a turma é excelente. A aula se tornou bilingue porque Pei precisa me explicar em Inglês e em Chinês para os outros 4 alunos! Eu me divirto. Enquanto o alongamento rola pesado e puxado, com concentração na respiração como precisa ser, a gente dá muitas risadas do sofrimento alheio.



A turma tem um cuidado todo especial comigo, principalmente depois que ficaram sabendo que eu tenho Fibromialgia. É muito bom a gente se sentir cuidada né!

A aula hoje foi super puxada e eu não tava muito forte...

Tô assistindo Parenthood, e escrevendo ao mesmo tempo...e chorando...saudade da galera de casa...

Ai ai...

Quando eu estava me preparando pra voltar pra casa, a Pei me pediu pra eu dar uma diminuída no meu ritmo. Eu estava colocando o tênis e numa rapidez como se eu tivesse panela no fogo...Aí eu disse a ela que eu não sabia o porque de toda aquela pressa já que eu não tinha ninguém esperando por mim em casa e nem agenda pra cumprir. Mas o lance é que a pressa não é e não foi só naquele momento. É mais ansiedade que pressa na verdade...

Pra tentar baixar a bola, eu cheguei em casa, tomei um bom e longo banho, me arrumei e fui pro shopping jantar. Saí de casa um pouco tarde, quase 5 e não achei mesa vazia no restaurante que eu queria almoçar/jantar. O Taiwanês como adora comer, as 5 da tarde já tem fila em porta de restaurante para o jantar...e eu não tinha nem almoçado ainda!

Como o Grazie Café tava lotado, com fila de espera pra mais de 1 hora eu fui ao TGIF outra vez e me deliciei com um daiquiri de morango, melhorar que limonada sempre!, lendo uma revista muito interessante chamada Respect!

Daiquiri de Morango

Shopping é um bom lugar para se divertir sozinha. Tem cinema, livraria, restaurante, lojinhas, cafés, etc. É uma boa companhia na verdade. Depois do daiquiri e do jantar, fui tomar meu cafezinho no Starbucks, lendo minha revistinha. O moço do café perguntou pelo Pê que está na China outra vez, pode?! É muito engraçado como o Taiwanês é curioso. Eu vejo o cara somente por alguns minutos na sexta-feira e ele já vez várias perguntas e bem pessoais. Eu acho o máximo, sério! No começo essa sinceridade que aparece em forma de questionamento muito pessoal, me assustava mas agora de boa! Até eu tô entrando nessa...com moderação...creio eu!

Na volta pra casa, escutando Akon and Wyclef and Lil Wayne cantando Dollar Million, meu coração apertou. Eu adoro essa música e ela toca fundo em mim. É de uma solidão perene! A gente consegue enganar a solidão todo dia, mas não pra sempre. E todo dia, essa solidão insiste em assumir as rédeas, mas é necessário saber até que ponto ela pode participar da nossa vida, da minha vida.

E assim, hoje mais uma vez eu enganei esse monstro mas amanhã é outro dia e toda a batalha começa novamente. Pilates, voltinha no shopping, chat com a galera do Brasil ajuda horrores e amanhã tem massagem então estarei salva.

Mas o que é mais legal e transformar um dia vazio num dia fascinante e isso eu sou expert!

23 de abril de 2011

Dylan na Ásia

Domingo dia 10 de abril, Pe e eu fomos ao show de Bob Dylan. Só de pensar eu arrepio! Wow, Bob Dylan! O cara está nas paradas há mais de 50 anos. Tem que respeitar!
Fiquei sabendo do show somente no Sábado! Eu não sei se a galera que trabalha com divulgação de shows e atividades culturais de Taiwan é devagar ou se não ficar sabendo de um show do Bob Dylan em Taiwan é parte da barreira comunicativa que eu enfrento por não falar a língua. Eu leio jornais locais, em inglês lógico, e nem uma linha dedicada a esse acontecimento único.

Bão, o que importa é que eu fiquei sabendo e no Domingo de manhã vazamos pra tentar achar ingresso. Tivemos que ir à Taipei devido a desinformação do quiosque da Nova, shopping de eletrônicos onde eu comprei ingresso pra assistir Tears For Fears. A menina chegou a ligar num telefone que eu mesma passei pra ela,  valei-me meu santo Google, e disse que os ingressos seriam vendidos somente à partir das 5:30 da tarde. Como a gente já sabe que informação correta não é o forte do Taiwanes, chegando em Taipei fomos direto para Taipei Arena, onde foi o show. Lá ficamos sabendo que é possível comprar ingressos no 7/11, rede de conveniência estadosunidenses que fica aberta 24 horas por dia durante os 365 dias do ano e que pra comprar lá mesmo na boca do caixa só mesmo as 5:30 da tarde. Ok, informação semi-errada. Meio-crédito pro 0800.

O que é legal é que tem 7/11 em quase toda esquina e a menos de 100 metros tinha um, dentro mesmo da Arena. Se tem uma coisa que Taiwanes tem vapor, é perder tempo. Fomos lá comprar o danado. Só em uma máquina, tipo ATM de banco. Detalhe, só em chinês! Uma das funcionárias falava um pouco de inglês e foi uma mão na roda.

Ingresso na mão, coração pulando por causa da ansiedade de ir a um show do grande Bob Dylan, fomos para o Costco, um supermercado como o Macro. Lá é um dos raros locais onde a gente tem certeza que está comprando produtos com sabor original sem absolutamente nada adulterado.

Taipei está a 22Km de casa, então ainda eram 5 da tarde e Pe e eu decidimos voltar, rangar, tomar banho e voltar à Taipei pra assistir ao show. 

Na estrada, meu coração sofria pra conter a ansiedade.

O show foi maravilhoso mas com um pequeno detalhe que fez e faz esse mesmo coração que sofria, ficar apertado toda vez que eu penso no que aconteceu... o danadinho do Bob Dylan é famoso pelo péssimo humor, e por não estar nem aí para o público. "Hello" foi a única coisa que ele falou pra galera que lotou o ginásio e olha que saiu tremido. Well, mas saiu. Não não é isso que faz meu coração ficar apertado. Foi até pitoresco!


O show foi todo, TODO, somente de músicas recentes. Isso quer dizer que ele não cantou os grandes sucessos que fez o mundo tremer por décadas. Well, cantar ele até tentou...

Coração a mil...



Dylan e seu visual Zorro


O show durou quase 2 horas, e foi perfeito! A iluminação foi o único recurso de palco e não precisou de mais nada! Ele cantou, naquele estilo todo próprio dele que mais parece declamar que cantar e que arrasa. Aquele voz rouca, ainda mais rouca pelo tempo faz arrepiar mesmo, não tem jeito.

A gente estava sentado relativamente perto do palco e teve uma hora que eu invadi mesmo. Fui lá pro gargarejo pra terror dos seguranças. Hehehehe Saudade dos shows do UTC...

Então, Bob Dylan cantou e encantou mas deixou muita gente na saudade... A útima música foi percebida que era a última quando ele acabou de cantar e saiu do palco sem falar nem um simplório "Bye". Como eu já disse a única palavra proferida foi "Hello". Quando a multidão de fãs sacou que o show tinha acabado, a galera foi a loucura porque apesar do show ter sido lindo, ficou um buraco....e "Blowing in the Wind" e "Like a Rolling Stone"??? Como que ele tem a coragem de esperar a vida toda pra fazer show em Taiwan e China e não canta esses clássicos que é na verdade a razão pelo qual todo mundo foi a Arena naquela noite?? Como assim?? Mas nós insistimos e ele voltou. Emburrado mais voltou!

E cantou esses dois grandes sucessos...melhor, ele declamou esses dois grande sucessos. Se eu não soubesse a letra, com certeza eu não teria percebido que o bis foi pra satisfazer a fome de passado dos milhares de estrangeiros e Taiwaneses que ali estavam. Ele fez um arranjo tão inusitado que realmente não dava pra identificar que música Dylan cantava. Mas o lance é que o cara quando é bom e quando é ícone pode fazer a pirraça que quiser que a gente aceita de boa.
As músicas, verdadeiros hinos de protestos dos Direitos Civis nos Estados Unidos, fizeram desse cara, nascido no estado de Minnesota, um ídolo mundial e assim sempre será.

Eu, e todo mundo que estava ali naquela hora, gritei bonito quando Dylan blowed the answer in the wind like a rolling stone!  O olho cheio d'água, a garganta trancada pela emoção vivida naquele instante mágico!


 Like a Rolling Stone...

O show foi encerrado, as luzes foram acesas e a gente voltou pra casa com um olhar diferente porque the answer my friend, is like a rolling stone!

21 de abril de 2011

8:00 - ??


Ontem parada no sinaleiro e olhando pros lados, me deparei com essa mensagem maravilhosa estampada na porta de um pub aqui em Taoyuan, onde moro. Tem coisa melhor do que ir pra um bar, com uma galera legal e não ficar preocupada com o horário que o buteco fecha?

Ops, acho que esse pensamento ainda é resquício dos dias de total controle e cerceamento Suíços! Saí de mim trem!! Calma, passou passou...

Uma tarde no Sogo

Hoje eu fui até ao Sogo, uma grande loja de departamentos de 11 andares daqui de Taiwan, pra comprar arroz jasmim que eu adoro de paixão, arrumar uma sandália e almoçar em um lugar charmosinho.

Faz algumas semanas eu fui a esse mesma loja e vi que estava em construção um restaurante novo de comida ocidental, o "Aunt Stella's". Hoje o danadinho estava aberto e lá fui eu "testar" o local. Digo testar porque aqui em termos de comida, nem tudo que parece é. Sempre, ou quase sempre, tem um sabor adulterado porque Taiwanes tem vapor de sabor original. É sério! Então quando se vê um restaurante de comida ocidental, é necessário primeiro testar com cuidado pra ver se o sabor de um risotto por exemplo não terá nenhum sangue de porco ou tofu fedido adicionado. Tô brincando não, verdade!


O lugar é bem legal, e as garçonetes como sempre super delicadas. Peguei o cardápio e já fiquei feliz porque além de foto, o cardápio era bilingue. Super bom, quando não se sabe ler nem escrever!
As fotos estavam apetitosas, coisa rara aqui. Aí fiquei com o risotto de cogumelos e peito de frango, e um suco todo incrementado que tinha até colágeno. Uma delícia!

O risotto não tinha nenhum sabor extra, mas também não podia chegar aos pés do risotto que o Pe faz aqui em casa. Gente o risotto que o homem faz é bom demais da conta! Daqueles da gente comer de joelhos.

Aqui, normalmente, quase todo restaurante tem o que eles chamam de "set", que inclui uma salada ou sopa, prato principal e uma bebida que pode ser suco, café ou chá e que é servida só no final da refeição. As vezes, depois de muito insistir, eles servem o suco junto com a comida, mas é coisa rara. Vinho é quase impossível de se achar!  Quando se pede o "set" sempre fica mais barato que pedir os pratos separadamente, e é muito engraçado ver o garçom te convencendo a pegar o "set" pra não ficar muito caro.

Então, almocei, tomei o suco turbinado e fui pagar a conta. Assim que eu paguei a menina do caixa pegou uma sacolinha e colocou um prato de cerâmica lindo dentro e me deu, dizendo que era presente da casa pra mim.

Presentinho que ganhei no restaurante


Só em Taiwan mesmo! Eu adorei! Olha só que gracinha de prato!! Aí depois a menina me deu uns cookies de chocolate chips que tinham acabado de sair do forno. Bom demais! Eu adoro esse mimos e eu os recebo muito frequentemente. Já ganhei canecas, galheteiro, ursinho de pelúcia, bolsa e por aí vai.

Saí do lugar com um senhor sorriso na cara. A hospitalidade aqui é algo ímpar e faz toda a diferença. Com certeza irei voltar ao Aunt Stella's e experimentar os sandubas e quem sabe ganhar mais presentinho!

1 de abril de 2011

Sol dando o ar da graça

Por-do-sol que apareceu na minha janela hoje
 
Finalmente depois de 5 meses de céu nublado e chuva, a ilha de Formosa recebeu um solzinho tímido que veio acompanhado de um vento gelado mas que proporcinou um lindo por-do-sol no final da tarde. Meu coração bateu mais forte e não é só uma expressão de contentamento não, sério!

Eu sou tropical, não tem jeito. Eu gosto de sol queimando a pele, coisa que asiático abomina. Eu gosto de abrir janela e deixar a luz invadir o espaço, eu gosto de ver a roupa no varal deixando o sol expressar seu poder, eu gosto de vestido de alcinha, eu gosto de cabelo ao vento, eu gosto de sentar em uma parque e ficar lendo. Eu gosto da leveza dos dias de sol, eu gosto da alegria que o sol proporciona. Não tem jeito mesmo, eu sou tropical! E ser tropical morando em uma ilha onde o sol é raridade....não é fácil de jeito nenhum!

Mas de agora em diante, esses dias congelantes de céu cinza estão prestes a acabar e esse por-do-sol de hoje é a prova que eu precisava pra olhar para os aquecedores que secam as minhas roupas agora, enfeitando a sala de jantar, e dizer que logo logo eles estarão descansado por uns bons meses! Ai que bom!

Semana que vem é feriado aqui. Tipo um finados. Petin, que nesse exato momento está na China, na divisa com a Rússia, terá alguns dias de folga, mas como ele viajou demais esse mês, nós ficaremos por aqui mesmo fazendo turismo interno. Visitaremos Lugang, a cidade mais antiga de Taiwan e a região de Hualien, onde a minha querida linda monja Cheng Yen mora e outras coisitas mas.

Se o tempo firmar, nossa acho que nunca falei "se o tempo firmar" antes. Eita banzo!! Então, se o tempo firmar vai dar até pra dar uma esticadinha na praia. Oba, dedos cruzados!

E como diria Jota Quest, Pra onde tenha Sol é pra lá que eu vou!!!

17 de março de 2011

Eu Gosto Daqui

Parece que a minha vida tá voltando ao normal aqui desse lado sacudido do mundo. Pois é, como é que a vida volta ao normal sabendo que o nosso planeta resolver sacudir devido à uma proximidade da lua com a terra. Parece que esses dois amantes nunca estiveram tão pertos. E todo mundo sabe o que acontece quando amores distantes se encontram...

Então, mas mesmo com tudo isso acontecendo e o olho grudado na CNN pra ver se a radiação das usinas nucleares do Japão estão descendo pra Taiwan, a vida dessa criatura que sofre horrores com fuso horário está voltando ao normal. Até já saí de casa!!

É estranhamente estranho como eu gosto de morar aqui. Hoje estacionei o carro em um dos 5 shoppings da cidade, pra atravessar a rua e comprar um card-reader da Sony. Deixei o meu no Brasil. Bom, eu não tava com muita intenção de ficar batendo perna, mas resolvi almoçar num restaurante charmosinho que abriu lá, mais um. Salada, sopinha, prato principal, sobremesa e fruit tea. É um suco-chá que eles fazem aqui com muita fruta dentro. Uma delícia!

Aí fui tomar um espresso no Starbucks pra fechar o almoço, mas estava cheio demais, então resolvi ir ao supermercado que fica no subsolo. Todo shopping aqui tem supermercado no subsolo. Assim como hospitais, estação de trem, e lojas de departamento também. Bom, comprei umas comidinhas, e aí eu me lembrei o quanto eu gosto de morar aqui.

É estranho como eu me adapto na muvuca Taiwanesa. Fico puta da cara demais com a quantidade de bagunça, mas esse é o jeito do país. Aí passei a gostar e sinto falta disso. Eu adoro ver a dualidade estampada em cada esquina. Os mais de 80 mil templos me alegram o coração. É eu gosto daqui...
Mais especificamente nesse shopping que se chama "21", nesse subsolo, tem vários cafés e a Eslite, a minha livraria. Poderosa eu??!!

Eu gosto das livrarias lotadas, dos cafés charmosos, barulhentos e assim que eu saí do supermercado e olhei em volta, isso foi o que eu vi: vida!

Passei na Eslite, a livraria, comprei uma revista e fui procurar um cafezinho quando dei de cara com um café super charmoso, com um atendimento ótimo. Pra minha surpresa o café era da rede de sorvetes Häagen-Dazs. Tomei um capuccino muito bem feito e muito bem servido, água com um sutil sabor de limão e quase 1 hora de puro "dolce far niente", como sabiamente dizem os italianos. 

 
A foto não está assim uma Brastemp não, mas eu acho que dá pra capitar o local. No verão, vou ficar freguesa da casa! Esse sorvete é bom demais meu Deus! E pelo o que eu vi no cardápio tem cada Sunday, cada Banana Split...Help me God!

Saí de casa hoje as 2 da tarde e só retornei as 8. Fui a banco, farmácia pra comprar "iodeto de potássio" para proteção contra radiação...prevenção é sempre o melhor caminho, e também fui tentar descobrir um endereço de um escritório Budista da fundação Tzu Chi, da linda monja Chen Yen, pra eu levar umas roupas pra doar pro Japão. Nessa empreitada eu não fui feliz. Amanhã saio de novo, tentando mais uma vez. Sair em busca de um endereço aqui não é assim algo tão simples não, pelo contrário! Típico dia de uma moradora de qualquer cidade do mundo, o que me faz senitr muito bem por saber que eu saí da paisagem da janela e deixei a cidade entrar em mim com gosto. Eu criando raízes na Ásia. Quem diria, ninguém diria! Nem nos mais audaciosos pesadelos eu poderia imaginar que um dia eu iria dizer que eu estou criando raízes na Ásia... Eu gosto daqui!

Esse lance do Japão está me deixando de cabelo em pé. Não só pela questão da irradiação, mas pela total irresponsabilidade desses governantes e gananciosos que não trabalham com energia limpa, pondo a vinda de milhares de pessoas em risco. Se o que a gente sabe é sério pra caramba, imagina o que eles ainda escondem.

Ai ai, que Deus nos ajude!




Cheng Yen, fundadora da Fundação Tzu Chi. Eu adoro e sou fã dessa mulher. Ela tem 74 anos!





 **Acho que meu texto tá meio patchwork. São 4:30 da manhã. Amanhã vejo esse alinhavo

9 de março de 2011

Home Sweet Home




Quase dois meses longe de casa...
Faz algumas horas que eu cheguei em casa, depois de uma estadia de 2 semanas na Nigéria e 6 semanas no Brasil.

A viagem foi ótima, como não poderia ser diferente. Muita emoção, muito sentimento resolvido, muita risada, um pouco de lágrima, muitos amigos, muita comida, muita farra, muita guaraná, muita praia, muita chuva e pra encerrar com chave de ouro, muito carnaval.

Essa viagem do Brasil pra cá não é brincadeira não, porque Taiwan é longe pra cacete cara! 28 horas somente dentro da invenção do Santos Dumont, isso sem contar a espera em aeroporto. Lógico, tô exausta demais da conta e morrendo de saudades da minha cama!
Hoje ainda dá pra aguentar de boa, o lance pesado é amanhã por causa da ressaca do fuso horário... Serão uns 3 dias groguinha da silva! Ai da bem que não tem Miolo Reserva, 2009, na parada, senão... depois eu explico!

Viajar é bom demais mas chegar em casa é melhor ainda! Pô, já estou morrendo de saudades do Calanguin. Calanguin é um cara legal, o garoto mais lindo que Deus já fez e meu sobrinho mais novo. O menino é apaixonante.


Agora eu vou ali falar um "Oi" aconchegante pro meu travesseiro. Inté!

27 de janeiro de 2011

Nigéria, oeste Africano!

Os geradores estão gritando sofrívelmente há dias, com apenas algumas horas de descanso. O barulho é ensurdecedor, e as vezes, muitas vezes, é preferível o calor empoeirado pelos vários meses sem chuva que a delicia de um ar-condicionado ou ventilador espantando o suor.

O barulho das buzinas dos milhares de carros e motos se misturam com o volume altíssimo da música que vem de todos os cantos, de todas as TVs. As vozes sempre alteradas tentam ganhar o ouvido do outro, enquanto os vendedores gritam se debatendo na tentativa de vender seus produtos. E tudo acalentado pelo choro histérico dos geradores.

Lagos, Nigéria, oeste africano!


Pessoas andam de um lado pra outro tentando encontrar o próprio destino, e as andanças começam as 4 da manha e parecem que não param nunca! Uma perseguição sem fim e sem meta.  As vans amarelas em terrível estado de conservação, estão cheias as 4 da manhã. A poeira sufoca as 4 da manhã. No meio disso, o contraste das roupas multi-coloridas da população Nigeriana e os imensos turbantes usados diariamente pela maioria das mulheres parecem que dão esperança a uma vida que esta por um fio.

As crianças jogam futebol, tentando escapar dos profundos buracos e do lixo deixado nas ruas.  Nos tampões das valas de esgoto, mulheres fazem tranças uma nas outras, se embelezando para seus amores. As igrejas evangélicas dominam a cena, e estão sempre lotadas com seus fieis implorando a Deus por dinheiro. Dinheiro é a coisa mais importante na vida de um Nigeriano. Eles dizem que com dinheiro, eles compram felicidade, amor, saude e todo o resto.


Os mercados de rua e lojas se confundem num emaranhado confuso mas vital pra realidade local. Todo espaço é ocupado na luta diária da sobrevivência desse povo sofrido, guerreiro, forte, alegre e extremamente otimista.

Na televisão, a musica Nigeriana impera e os Yoruba mantêm seus rituais através de filmes, músicas e novelas que retratam a realidade deles, cheia de vudu e mandingas!.

Arroz com molho de tomate é a comida de todo dia. Arroz e molho de tomate, mais nada. As vezes um peixe seco, deixado ao ar livre por dias ou um pedaço de frango é servido. Não importa o local, o evento ou a hora, arroz com molho de tomate esta sempre presente. As vezes uma fruta aparece timidamente na banca de algum vendedor, mas é raro e muito caro.


Água não tem. Água encanada ainda é uma raridade nas casas de classe média. A cisterna é uma constate no dia-a-dia desses homens e mulheres que trabalham num descompasso frenético quase que 24 horas por dia. Eletricidade também não tem, nem mesmo nos bairros ricos da Ilha de Vitória onde os estrangeiros e Nigerianos ricos vivem. Eletricidade no sexto maior país produtor de petróleo do mundo, ilumina casas e vidas somente 2 ou 4 horas por dia, ou nem isso!

Assim é Lagos e assim é a Nigéria pra mim. Um país, uma cidade, um povo do oeste africano!

14 de janeiro de 2011

De novo na estrada....


On the road again 
Just can't wait to get on the road again.
The life I love is making music with my friends 
(On The Road Again - Willie Nelson)

Yep, on the road again...
Amanhã as 8 da noite eu embarco...

Ontem a noite, na organização de algumas coisas, peguei meu passaporte que foi renovado em novembro do ano passado e o danadinho já está com várias páginas cheias de carimbos. Eu cheguei a conferir pra ver se era o meu me

Taiwan é uma solitária minúscula ilha e não tem nenhuma ponte que ligue com nenhum país.  Ou seja, vai viajar, tem que sair de Taiwan, saindo de Taiwan tem que carimbar passaporte. Voltou pra casa, carimbo de novo. Explicou né! É...eu saio muito te Taiwan... e amanhã estarei saindo novamente pra voltar somente em março, antes do carnaval. 

Voltar antes do carnaval não parece assim tão terrível, mas é que eu não dei detalhes ainda da minha viagem... 

Como eu estava dizendo, amanhã às 8 da noite eu embarco pra Amsterdam e de lá pra Lagos, na Nigéria e como muito bem diz a música de Willie Nelson, "...the life I love is making music with my friends"! O studio está indo muito bem graças a Deus mas como diz o ditado é o olho do dono que engorda o gado. Dessa vez não ficarei muito tempo, somente 2 semanas e de Lagos eu volto pra Amsterdam onde encontro o Pê que está na China e de lá vamos juntos para o Brasil veroníl.

E agora, a frase "voltar antes do carnaval" doeu né!  "Mas como!!" "Cê gosta tanto de carnaval!" "Como cê me abandona o 'carna' e volta pra casa assim!" Essas são algumas das exclamações que eu tenho escutado quando menciono o detalhe de voltar 1 semana antes do carnaval...

É verdade, eu adoro o tal do carnaval, mas esse ano o trem não me pegou e pelo o que me conheço não irá me pegar, principalmente porque se eu passasse carnaval seria lá em Tupaciguara e esse ano o carnaval não será como nos outros anos. Carnaval em Tupacity sem o Chita é como desfile de fantasias sem Clóvis Bornay! Não tem graça.... Vamos dizer que seja uma homenagem a esse grande cara.

Então, voltando...melhor, indo...
Com tantas idas e vindas, arruma-desarruma mala, monta-desmonta casa, eu até que sou meio tarimbada nessa atividade. Pra facilitar um pouco a vida e poder sair a qualquer hora sem muito planejamento e ou desespero, eu guardo os produto de higiene pessoal e cremes de viagem já dentro de saquinhos. Pra cada área, um  zip-lock. Tipo, produtos de manicure em um saquinho, produtos para o cabelo em outro saquinho e por aí vai. Assim, fica mais fácil abrir o armário, escolher um de cada e colocar dentro da nécessaire. 

Esse sistema é bem eficiente e rapidinho e minha mala fica pronta, independentemente pra onde estou indo! Well, nem tanto assim. Quando eu vou pra Nigéria, eu tenho que levar de tudo, até Nescafé e açúcar porque lá onde eu fico, se compra açúcar por colher e não por quilo. É a vida é dura na África e na Nigéria então nem se fala. Não tem energia elétrica todo dia, não tem água todo dia e em muitas casas, a maioria delas, não tem comida todo dia...

Como o Pê está na China, e eu só irei encontrá-lo em Amsterdam, dia 29. Então, eu estou arrumando duas malas ao mesmo tempo. É que ele não sabe ainda, mais ele vai levar algumas coisas pra mim, aí, pra ficar mais fácil pra ele, eu já estou deixando as coisas prontas. Só chegar da China, e colocar na mala previamente arrumada, as roupas que ele vai querer levar pro Brasil. Mamão com açúcar!

Deixa eu ir nessa que ainda tem muita coisa pra eu fazer! Muita coisa mesmo! E mais horas e horas e horas de vôo pra enfrentar!

8 de janeiro de 2011

Que venha 2011!

De volta à chuva e ao frio cortante de Taiwan após 1 semana no paraíso!
Chegar em casa depois de dias tão especiais não é muito fácil não, principalmente quando uma boa gripe te ataca em pleno avião. Aí fica ainda mais complicado voltar a realidade! You know, roupa pra lavar, casa pra arrumar, chuva pra me manter em casa, frio pra me lembrar que aqui não tem sol, malas esperando pra ser desfeitas e logo refeitas, vida na espreita de um ano que começou e por aí vai!

É coisa pacas! Ainda bem que eu me livrei do incomodo de resoluções de final ano ou eu estaria ainda mais afundada no que eu tenho, quero fazer!

Isso se o frio me der uma trégua!

O frio aqui me deixa "piada". É um frio cortante que entra nos meus ossos e não tem nada que me aqueça. Meu Deus como o norte de Taiwan é gelado! O que mais me espanta é que se olhar o termômetro, a temperatura mostrada será até agradável, mas devido a super alta umidade, o bicho pega. 16 graus positivos fica mais frio que 16 graus negativos e como os apartamentos são feitos de concreto e azulejo de verdade e sem aquecimento...brrrrrrruuuummmmmm!
Dá vontade de fazer como o querido vô Ribeiro fazia...pegar uma bacia, colocar sabugo de milho seco dentro, meter álcool e fogo e por na sala pra esquentar! Era uma fumaça imensa! Mas que aquecia, isso aquecia!

Então no desespero de me aquecer, eu estou com 2 aquecedores móveis ligados quase que constantemente: um fica na sala e o outro aqui no meu office, e eles até que cumprem a função de boa. Mas não é cosia simples não.

Atividades corriqueiras como tirar roupa ou vestir roupa viram atentados terroristas com requintes de crueldades porque é frio demais. É, tem um certo exagero...pouco...minúsculo! Devido à minha inexistente tireóide, a temperatura do meu corpo é um tanto quanto desregulada, pra menos ou pra mais... Mas que é frio isso é! Desregulada é comigo mesmo!

2011 começou da melhor forma possível pra mim, em todos os níveis, graças a Deus! Eu que sou cheia de superstição, acredito que o que a gente faz/passa no primeiro dia do ano, a gente fará/passará durante o ano todo. Então, casa tem que estar em ordem, gavetas e armários idem. Isso sem falar a vida em geral né!?


No dia primeiro do ano, eu estava na praia de um maravilhoso hotel 5 estrelas, The Andaman, na ilha de Langkwai, na Malásia. Que lugar mais maravilhoso! Fotos logo logo!Nossa, tem foto demais pra eu arrumar! Sooocccooorrroooooo!
E Kay, principal artista do meu studio na Nigéria, estava fazendo show a convide do grande Darey Art Alade, considerado o John Legend da África. Não sabe quem é John Legend? Oh Deus! Pra entender a importância do convite, é tipo, como se o Milton Nascimento tivesse ligado pra um artista que está começando a carreira lá em Tupacity e o convidasse pra um show. Big!! Huge!!

Como eu passei o ano novo viajando, "isso quer dizer" que eu viajarei o ano todo! Semana que vem, já estou pondo o pé na estrada outra vez. Vou a Nigéria e de lá pro Brasil. Na volta, quem sabe uma passadinha básica pela Europa. Saudade de neve...Nossa, tem alguém mais ambíguo nesse mundo que essa anfíbia aqui? Se eu tô morrendo de frio em Taiwan, como eu posso estar com saudade de neve??!! Hello!? Mas é que é diferente...

Com um começo de ano desse, com o universo conspirando a favor, com a alma e o coração em paz....que venha 2011!

27 de dezembro de 2010

Malásia

Berjaya Resort!

O sol está brilhando forte, a praia vazia, os macaquinhos correndo e pulando entre um coqueiro e outro! Não, não é um cenário tropicalista caetaneado na capa de um disco não, isso é Langkawi, uma ilha na Malásia onde eu estou agora!

Chegamos na Malásia dia 24 e a meia-noite eu estava em Penang, uma cidade famosa pela quantidade de empresa de componente eletrônico,dentro do taxi indo pro hotel, o que não me impediu de rezar um Pai Nosso e agradecer ao aniversariante por minha família e amigos que eu amo tanto!

A ceia de Natal foi comida Hindu, num buteco de rua de um país Muçulmano!

Então, de Penang pra Langkawi são 25 minutosde vôo, sobre o oceano Pacífico! Há 6 anos, mais de 50 pessoas morreram em Penang por causa do Tsunami mas aqui na ilha de Langkawi ele não passou!

Uma das piscinas do Resort


Nós estamos no Berjaya Resort e pegamos um chalé na floresta onde as portas, janelas e sacadas precisam estar fechadas 24 horas por causa dos macaquinhos que fazem a festa!

Chalés na mata são muito charmosos


O chalé fica no topo da montanha e carrinhos de golf vão e voltam conduzindo os turistas morro abaixo!

A praia é calma, tipo Ribeirão da Ilha em Florianópolis, e além dos coqueiros ainda tem uns quiosques com as espreguiçadeiras! Não tem outra né, está sendo praia o tempo todo. Ainda mais com garçon passando com cada coquetel...mais uma dose, é claro que eu tô afim!

Bom, estou blogando da praia, pelo Iphone, e agora eu vou aproveitar esse mar lindo que está dando a maior sopa!

23 de dezembro de 2010

...


Feliz Natal!


21 de dezembro de 2010

Um amor: O Atlântico

Uma vez conversando com não-me-lembro-quem eu comentei sobre a minha fascinação com o Atlântico e como ele nos une e nos separa da África. E como seria mágico a travessia desse belo oceano. Pensando que se eu nadasse, em linha reta,  eu chegaria "rapidinho" até esse continente tão rico, tão forte e tão misterioso!

Quando criança, eu sempre viajava nessas águas, nessa aventura de um dia chegar até lá não sei onde. E todas as vezes, que eu tive a oportunidade de molhar meus pés nesse mar, imediatamente a imagem de cruzar fronteiras me vinha à mente.
Pensar em ir até a África sempre povoou meu imaginário, mas devido às minhas condições sócio-financeira de uma época tumultuada, eu não me permitia que esse imaginário virasse sonho simplesmente pela frustração que, eu tinha certeza, aconteceria. Ai ai, como é bom estar errada!

Eu tenho verdadeiro "vapor" de frustração e é por esse motivo que eu me libertei de "lista de final de ano". Era muito frustrante chegar dia 31 de dezembro ou 1 de janeiro e perceber que a lista não foi completada. Aquela auto-frustração acabava comigo. Dei um jeito nisso rapidinho, que foi me libertar dessa lista assustadora. Mais isso é outro papo...

Então, nos meus tempo de UFU, Universidade Federal de Uberlândia, o meu sonho era extremamente limitado. Eu coloquei limites e cortei as asas do sonho para que a frustração não corresse atrás de mim. Eu não ousava sonhar além mares, no máximo eu sonhava em conhecer o Brasil. Nem mesmo como estudante de artes, eu sonhava em visitar os museus esparramados pelo mundo onde eu poderia ver ao vivo e a cores aquelas obras que me fascinavam. Eu não me permitia sonhar além da minha tolhida realidade para que a frustração não tomasse conta de mim.

Engraçado...eu sonhava muito antes da morte do meu pai...minha prima Silvana e eu passávamos horas dentro do carro imaginando que nós estávamos viajando por esse mundão afora...mas depois que meu pai foi embora, meus sonhos foram com ele. Parece que nada tinha mais graça. Parece...
O simples ato de sonhar doía muito e eu passei a  ficar cada vez mais longe dessa válvula de escape emocional.

E a África entrou nesse pacote, assim como as viagens aos museus e o meu fascínio em cruzar o Atlântico...Esses sonhos de pré-adolescente foram arquivados e esquecidos no arquivo morto da minha memória.

Uma vez, ainda criança, na Praia Grande, estado de São Paulo, creio que eu estava com 9 anos de idade...e eu brincava na areia, construindo castelos ao vento. Meu pai então me chamou pra arrumar nossas tralhas para voltarmos pra Santos. Estávamos em férias escolares, aproveitando o mar que Minas não tem.
Meu Deus, eu me lembro como se fosse hoje...eu fui lavar as mãos, no mar, no Atlântico. Fiquei agachada, na beira do mar, esperando a onda quebrada morrer nas minhas mãos. E veio uma onda mais forte que as outras, e eu alí, com as minhas pequenas mãos abertas, esperando a vontade do mar pra lavar a areia grudada nas mãos de tanto brincar. Quando essa onda mais forte veio, eu sorri, olhei para o Atlântico lindo enorme e disse...não precisava tanto.
Lavei minhas mãos e fui ao encontro do meu pai que me esperava logo atrás de mim...

Anos mais tarde, escutando Meia-Noite de Chico Buarque, me lembrei desse fato, quando ele traduz a minha simples fala. O meu "não precisava tanto" nas palavras de Chico torna-se "e um oceano pra lavar as mãos".
Décadas mais tarde, após cruzar o Atlântico várias vezes, já morando na Suíça, eu me sento em frente a TV, sem nenhum objetivo, ligo no canal RTP de Portugal e a linda Dulce Pontes aparece na tela com o programa "Projeto Atlântico", cantando Meia-Noite! (O "Projeto Atlântico, era um programa espetacular, que toda semana colocava juntos cantores de língua portuguesa que viviam nos lados opostos do Atlântico)

Meu coração bateu acelerado, meus olhos se encheram de lágrimas e eu fiquei muito emocionada porque novamente o Atlântico me fazia feliz. Nesse dia eu voltei no tempo, sendo aquela menininha loirinha que só queria lavar as mãos.

20 de dezembro de 2010

Tédio Dominical

Pô, o tédio do Domingo estava gigante hoje. Já estava pra apelar, quando graças a Deus eu me lembrei dessa pérola do Rappa e sartei de banda.  

Faça um filho comigo!  
Mas não me deixe sentar na poltrona. 
No dia de domingo, domingo!

O tédio que eu me encontrava hoje estava daqueles de arrebentar! Daqueles enormes de comer um panetone inteiro e sozinha na frente da TV. E eu ainda estava sem dor, o que aumentava ainda mais o tédio com um T bem grande pra você, pra mim.

O lance é que eu não estava afim de sair e enfrentar o trânsito daqui num Domingo à tarde. Também não estava afim de fazer nada. Já tinha lido as revistas que comprei essa semana, Oprah and In Style. So cult!!, e também não estava com saco pra ler, pra ver TV, pra nada....Gente que dureza viu!

Aí, como uma Machado que se preze, olhei a minha volta e percebi que o chão iria ficar feliz com uma boa escovada. Ah, não deu outra. Fui até área de serviço, peguei o mop e o chão ficou limpinho em minutos. Mas e agora? O chão está limpo e o tédio sujou beleza! Nossa, não aguentei o trocadilho infame!

Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio,  Domingo! De  acordo com o Aurélio eles não são sinônimos, mas eu duvido. Como não?!

Chão limpo, barriga super cheia de tanto panetone, e a insustentável e insuportável missão de existir num Domingo nublado, eu lembrei que eu moro em Taiwan e como não tem bar pra gente encher a cara, tem SPA pra gente aliviar a lida!

Um SMS e alguns minutos depois eu garanti meu lugar ao sol e lá fui eu pra uma massagem revigorante de 2 horas. Sério, quando eu me mudar daqui eu terei que levar a Ciara comigo ou...o trem ficará complicado!
Cheguei no Mania e SPA e assim que e a Ci colocou os olhos em mim ela disse: Well girl, are you dead? Só ela mesma pra me fazer rir, perguntando o óbvio. Na hora, ela já me deu aquele abraço, preparou a sauna e lá fui eu pra apimentar mais um dia que tinha tudo pra ser um nada! Depois da sauna, duas horas de uma super massagem que tem o poder de revigorar a minha alma. A Ci tem umas mãos abençoadas e ela adora o que faz e faz com gosto. A danada trabalha 6 dias pro semana, das 10 manhã às 10 da noite e está sempre com um super sorriso na cara e nunca demonstrou canseira nesses 3 anos que eu frequento o SPA. Além dela ter mesmo o dom, ela gosta muito do que faz e isso faz toda a diferença.

Deitar naquela maca/cama é mais que uma massagem, é uma terapia. A Ci e eu nos tornamos amigas de infância e eu adoro a sinceridade dela. Às vezes eu chego lá achando que o mundo acabou e ela me olha e consegue com uma simples frase me mostrar o tanto que eu estava fazendo tempestade num copo d'água e na hora eu percebo o quanto eu estava sendo tola.  Ela fala o que vem a cabeça, o que eu adoro. Sem nenhum filtro e sem nenhum constrangimento, na bucha, na lata!

Esse tempo no SPA me deu vida nova. 

Do SPA, eu passei no 7/11, uma loja de conveniência dos USA, que abre 24 horas e 365 dias por ano. Comprei meu leitinho, coca zero, cartão pro meu Iphone e suco de cranberry pra fazer um Cosmopolitan, aquele famoso coquetel do Sex and the City que por sinal ficou maravilhoso de gostoso.

Dirigindo de volta pra casa, mais ou menos umas 9 da noite, eu passei em frente ao Centro Cultural e estava tendo uma apresentação de teatro ao ar livre.  Óbvio que parei o carro e fui assistir! O palco estava lindo, muito colorido e uns 10 atores em cena. A produção parecia de uma ópera de tão requintada. Era um musical, mas eu não sei qual peça estava sendo encenada. Estava tudo muito bonito e bem produzido como dá pra ver nas fotos abaixo. A platéia estava toda absorvida por aquele duelo de espadas e brilho. 












Parafraseando Forrest Gump, Taiwan é como uma caixa de chocolates, a gente nunca sabe o que vai encontrar...por isso, ao sair de casa, tenha sempre uma câmera na bolsa, tenha sempre os olhos atentos ao inesperado, e o coração aberto à beleza da diversidade!


17 de dezembro de 2010

Aonde tenha sol

Meu Deus que frio, que gelo! Como que alguém pode ficar com tanto frio assim, sendo que lá fora, ou aqui dentro sei lá, está somente está 10C!!

Pensando bem, 10C é frio. Mas o lance é que eu já estava "acostumada" com os -20C da Suíça. Que tem uma explicação, isso tem....Mas quem disse que tremendo como eu estou, eu quero lá saber de explicação!!

Aqui em Taiwan, não tem aquecimento nas casas, o que não é algo assim tão distante pois por uns 30 anos da minha vida eu vivi sem aquecimento e não sei porque essas reclamação. Mas aqui é umido demais, e eu quero dizer demais da conta mesmo!
Nesse exato momento, 1:20 da manhã de sexta-feira do dia 17 de dezembro, a umidade é de 86%. O desumidificador está trabalhando puxado o dia todo pra tentar  retirar um pouco essa água toda mas o bichinho não está dando conta não.

Os dois aquecedores também suaram a camisa, coitados. Eles são portáteis e onde eu vou eu os levo. E aí, tento deixar os pés menos frios. 

A janela do meu quarto, hoje de manhã.



Aqui somente tem duas estações, uma muito chuvosa e outra menos chuvosa e a estação muito chuvosa começou com força total como dá pra ver na foto acima. Não é que aqui chove aquelas toros de lágrimas que a gente está acostumado lá no cerrado mineiro. A chuva aqui é mais pra uma garoa intensa que não passa nunca. Detalhe, nunca quer dizer uns 3 meses.

Só sei que eu estou com  muito frio. Pijama de flanela, Victoria Secret claro, tenta aquecer mas não consegue. Chocolate quente também faz parte do kit de sobrevivência mas assim que a caneca fica vazia, o frio volta pra dentro de mim.

Aném, parece que eu estou em Floripa, na década de 90! Pô, aquilo era frio demais! Como eu sobrevivi ao vento sul eu não sei! Aquele frio era cortante e eu não tinha as roupas certas, então eu parecia mais um robozinho com camadas e camadas de roupas e nada de me sentir aquecida.

Ai que bom que eu me lembrei disso. Até deu pra sentir um alívio no calafrio! 

Nessas horas de frio intenso, eu sempre berro "Aonde tenha sol, é pra lá que eu vou. Lá lararará, lararará!!" 


E é isso mesmo! Daqui uns dias eu vou para o sol, já que o sol não vai dar o ar da graça aqui por um bom tempo. Mas agora, agora eu vou é fazer meu chocolate quente e me enrolar no meu edredon e "drumi", como diria a Vó Maria!

14 de dezembro de 2010

Parabéns!


3 anos em Taiwan!
Heheheheheh

Um Toque Manual

Eu não sou nem de longe habilidosa com as mãos. Sou um desastre pra fazer minhas unhas, pra arrumar meu cabelo, e por aí vai. A lista é imensa, acreditem!
Isso sem contar que de um tempo pra cá, por causa da Fibromialgia, as coisas andam caindo muito da minha mão. Apesar de habilidade não ter muito a ver com equilíbrio... Não sou eu que as deixo cairem não, elas simplesmente pulam, despencam, assim do nada! A última catastrófica cena, foi em Rennes, na França, na casa do Gustavo e da Natália.
Manja: primeira vez que eu fui a casa deles isso sem contar que eu só tinha sido apresentado ao Gustavo há usna nos atrás. Bom, como eu adoro cozinhar eu fui toda serelepe ajudar e não é que eu fui colocar um pernil de porco com ameixas no forno, e o pirex escapuliu da minha mão? Eu chorei como criança! De soluçar mesmo!

A dor maior não foi a vergonha da minha "arte", mas a real razão pela qual eu perdi a força da mão deixando o lombo se espatifar no chão. Ops, os lombos, eram 2!

Bom,  apesar de toda a negação na área de trabalhos manuais, eu até que tenho a mão boa pra plantar. Não tenho o dedo verde e estou muito longe disso, mas tem algumas plantas que gostam do meu jeito estabanado de ser e a gente até se dá bem. E por causa dessa "habilidade" eu comecei a me interessar por montar vasos com uma variedade diferente de plantas, o que é muito comum por aqui.

Hoje eu resolvi arrumar uns vasos aqui de casa. O sol não entra muito no meu apartamento a não ser pelo meu quarto,  então as plantas precisam ser escolhidas criteriosamente para não morrerem na primeira semana. Acontece que eu não tenho muito saco pra escolher coisas dentro de um critério pré-estabelecido e aí minhas escolhas são feitas pela emoção que essas plantas me transmitem. 





Quando eu estou trabalhando nos vasos, eu gosto de uma certa dualidade para que o vaso possa ter mais vida. Tamanhos diferentes, texturas diferentes, cores diferentes estão sempre presentes e também algum material surpresa como conchas, madeira, pedras para quebrar a linearidade da composição.

Esses dois vasos são pra sala e amanhã quero ver se faço mais uns dois pra área de serviço.

Aqui na Ásia os arranjos são simplesmente maravilhosos e muito originais e eu fico babando. Os vasos com planta aquática são divinos, mas não funcionam no meu apartamento por causa da escassez de luz, o que é uma pena...já fiz várias tentativas e em menos de uma semana as plantas suicidam. Aí é o maior drama!

 Eu gosto de por a mão na terra, de separar as plantas e começar a compor o vaso do nada, prestando atenção no que ele pede. Às vezes o vaso sai todo minimalista deixando Malevich orgulhoso e às vezes o barroco impera. Tudo depende do momento que o vaso está nascendo, da música que toca, da estação, do clima, enfim....

Agora é torcer para que as plantas gostem aqui de casa e fiquem um bom tempo alegrando os dias cinzas que estão batendo à porta!