17 de março de 2011

Eu Gosto Daqui

Parece que a minha vida tá voltando ao normal aqui desse lado sacudido do mundo. Pois é, como é que a vida volta ao normal sabendo que o nosso planeta resolver sacudir devido à uma proximidade da lua com a terra. Parece que esses dois amantes nunca estiveram tão pertos. E todo mundo sabe o que acontece quando amores distantes se encontram...

Então, mas mesmo com tudo isso acontecendo e o olho grudado na CNN pra ver se a radiação das usinas nucleares do Japão estão descendo pra Taiwan, a vida dessa criatura que sofre horrores com fuso horário está voltando ao normal. Até já saí de casa!!

É estranhamente estranho como eu gosto de morar aqui. Hoje estacionei o carro em um dos 5 shoppings da cidade, pra atravessar a rua e comprar um card-reader da Sony. Deixei o meu no Brasil. Bom, eu não tava com muita intenção de ficar batendo perna, mas resolvi almoçar num restaurante charmosinho que abriu lá, mais um. Salada, sopinha, prato principal, sobremesa e fruit tea. É um suco-chá que eles fazem aqui com muita fruta dentro. Uma delícia!

Aí fui tomar um espresso no Starbucks pra fechar o almoço, mas estava cheio demais, então resolvi ir ao supermercado que fica no subsolo. Todo shopping aqui tem supermercado no subsolo. Assim como hospitais, estação de trem, e lojas de departamento também. Bom, comprei umas comidinhas, e aí eu me lembrei o quanto eu gosto de morar aqui.

É estranho como eu me adapto na muvuca Taiwanesa. Fico puta da cara demais com a quantidade de bagunça, mas esse é o jeito do país. Aí passei a gostar e sinto falta disso. Eu adoro ver a dualidade estampada em cada esquina. Os mais de 80 mil templos me alegram o coração. É eu gosto daqui...
Mais especificamente nesse shopping que se chama "21", nesse subsolo, tem vários cafés e a Eslite, a minha livraria. Poderosa eu??!!

Eu gosto das livrarias lotadas, dos cafés charmosos, barulhentos e assim que eu saí do supermercado e olhei em volta, isso foi o que eu vi: vida!

Passei na Eslite, a livraria, comprei uma revista e fui procurar um cafezinho quando dei de cara com um café super charmoso, com um atendimento ótimo. Pra minha surpresa o café era da rede de sorvetes Häagen-Dazs. Tomei um capuccino muito bem feito e muito bem servido, água com um sutil sabor de limão e quase 1 hora de puro "dolce far niente", como sabiamente dizem os italianos. 

 
A foto não está assim uma Brastemp não, mas eu acho que dá pra capitar o local. No verão, vou ficar freguesa da casa! Esse sorvete é bom demais meu Deus! E pelo o que eu vi no cardápio tem cada Sunday, cada Banana Split...Help me God!

Saí de casa hoje as 2 da tarde e só retornei as 8. Fui a banco, farmácia pra comprar "iodeto de potássio" para proteção contra radiação...prevenção é sempre o melhor caminho, e também fui tentar descobrir um endereço de um escritório Budista da fundação Tzu Chi, da linda monja Chen Yen, pra eu levar umas roupas pra doar pro Japão. Nessa empreitada eu não fui feliz. Amanhã saio de novo, tentando mais uma vez. Sair em busca de um endereço aqui não é assim algo tão simples não, pelo contrário! Típico dia de uma moradora de qualquer cidade do mundo, o que me faz senitr muito bem por saber que eu saí da paisagem da janela e deixei a cidade entrar em mim com gosto. Eu criando raízes na Ásia. Quem diria, ninguém diria! Nem nos mais audaciosos pesadelos eu poderia imaginar que um dia eu iria dizer que eu estou criando raízes na Ásia... Eu gosto daqui!

Esse lance do Japão está me deixando de cabelo em pé. Não só pela questão da irradiação, mas pela total irresponsabilidade desses governantes e gananciosos que não trabalham com energia limpa, pondo a vinda de milhares de pessoas em risco. Se o que a gente sabe é sério pra caramba, imagina o que eles ainda escondem.

Ai ai, que Deus nos ajude!




Cheng Yen, fundadora da Fundação Tzu Chi. Eu adoro e sou fã dessa mulher. Ela tem 74 anos!





 **Acho que meu texto tá meio patchwork. São 4:30 da manhã. Amanhã vejo esse alinhavo

9 de março de 2011

Home Sweet Home




Quase dois meses longe de casa...
Faz algumas horas que eu cheguei em casa, depois de uma estadia de 2 semanas na Nigéria e 6 semanas no Brasil.

A viagem foi ótima, como não poderia ser diferente. Muita emoção, muito sentimento resolvido, muita risada, um pouco de lágrima, muitos amigos, muita comida, muita farra, muita guaraná, muita praia, muita chuva e pra encerrar com chave de ouro, muito carnaval.

Essa viagem do Brasil pra cá não é brincadeira não, porque Taiwan é longe pra cacete cara! 28 horas somente dentro da invenção do Santos Dumont, isso sem contar a espera em aeroporto. Lógico, tô exausta demais da conta e morrendo de saudades da minha cama!
Hoje ainda dá pra aguentar de boa, o lance pesado é amanhã por causa da ressaca do fuso horário... Serão uns 3 dias groguinha da silva! Ai da bem que não tem Miolo Reserva, 2009, na parada, senão... depois eu explico!

Viajar é bom demais mas chegar em casa é melhor ainda! Pô, já estou morrendo de saudades do Calanguin. Calanguin é um cara legal, o garoto mais lindo que Deus já fez e meu sobrinho mais novo. O menino é apaixonante.


Agora eu vou ali falar um "Oi" aconchegante pro meu travesseiro. Inté!

27 de janeiro de 2011

Nigéria, oeste Africano!

Os geradores estão gritando sofrívelmente há dias, com apenas algumas horas de descanso. O barulho é ensurdecedor, e as vezes, muitas vezes, é preferível o calor empoeirado pelos vários meses sem chuva que a delicia de um ar-condicionado ou ventilador espantando o suor.

O barulho das buzinas dos milhares de carros e motos se misturam com o volume altíssimo da música que vem de todos os cantos, de todas as TVs. As vozes sempre alteradas tentam ganhar o ouvido do outro, enquanto os vendedores gritam se debatendo na tentativa de vender seus produtos. E tudo acalentado pelo choro histérico dos geradores.

Lagos, Nigéria, oeste africano!


Pessoas andam de um lado pra outro tentando encontrar o próprio destino, e as andanças começam as 4 da manha e parecem que não param nunca! Uma perseguição sem fim e sem meta.  As vans amarelas em terrível estado de conservação, estão cheias as 4 da manhã. A poeira sufoca as 4 da manhã. No meio disso, o contraste das roupas multi-coloridas da população Nigeriana e os imensos turbantes usados diariamente pela maioria das mulheres parecem que dão esperança a uma vida que esta por um fio.

As crianças jogam futebol, tentando escapar dos profundos buracos e do lixo deixado nas ruas.  Nos tampões das valas de esgoto, mulheres fazem tranças uma nas outras, se embelezando para seus amores. As igrejas evangélicas dominam a cena, e estão sempre lotadas com seus fieis implorando a Deus por dinheiro. Dinheiro é a coisa mais importante na vida de um Nigeriano. Eles dizem que com dinheiro, eles compram felicidade, amor, saude e todo o resto.


Os mercados de rua e lojas se confundem num emaranhado confuso mas vital pra realidade local. Todo espaço é ocupado na luta diária da sobrevivência desse povo sofrido, guerreiro, forte, alegre e extremamente otimista.

Na televisão, a musica Nigeriana impera e os Yoruba mantêm seus rituais através de filmes, músicas e novelas que retratam a realidade deles, cheia de vudu e mandingas!.

Arroz com molho de tomate é a comida de todo dia. Arroz e molho de tomate, mais nada. As vezes um peixe seco, deixado ao ar livre por dias ou um pedaço de frango é servido. Não importa o local, o evento ou a hora, arroz com molho de tomate esta sempre presente. As vezes uma fruta aparece timidamente na banca de algum vendedor, mas é raro e muito caro.


Água não tem. Água encanada ainda é uma raridade nas casas de classe média. A cisterna é uma constate no dia-a-dia desses homens e mulheres que trabalham num descompasso frenético quase que 24 horas por dia. Eletricidade também não tem, nem mesmo nos bairros ricos da Ilha de Vitória onde os estrangeiros e Nigerianos ricos vivem. Eletricidade no sexto maior país produtor de petróleo do mundo, ilumina casas e vidas somente 2 ou 4 horas por dia, ou nem isso!

Assim é Lagos e assim é a Nigéria pra mim. Um país, uma cidade, um povo do oeste africano!

14 de janeiro de 2011

De novo na estrada....


On the road again 
Just can't wait to get on the road again.
The life I love is making music with my friends 
(On The Road Again - Willie Nelson)

Yep, on the road again...
Amanhã as 8 da noite eu embarco...

Ontem a noite, na organização de algumas coisas, peguei meu passaporte que foi renovado em novembro do ano passado e o danadinho já está com várias páginas cheias de carimbos. Eu cheguei a conferir pra ver se era o meu me

Taiwan é uma solitária minúscula ilha e não tem nenhuma ponte que ligue com nenhum país.  Ou seja, vai viajar, tem que sair de Taiwan, saindo de Taiwan tem que carimbar passaporte. Voltou pra casa, carimbo de novo. Explicou né! É...eu saio muito te Taiwan... e amanhã estarei saindo novamente pra voltar somente em março, antes do carnaval. 

Voltar antes do carnaval não parece assim tão terrível, mas é que eu não dei detalhes ainda da minha viagem... 

Como eu estava dizendo, amanhã às 8 da noite eu embarco pra Amsterdam e de lá pra Lagos, na Nigéria e como muito bem diz a música de Willie Nelson, "...the life I love is making music with my friends"! O studio está indo muito bem graças a Deus mas como diz o ditado é o olho do dono que engorda o gado. Dessa vez não ficarei muito tempo, somente 2 semanas e de Lagos eu volto pra Amsterdam onde encontro o Pê que está na China e de lá vamos juntos para o Brasil veroníl.

E agora, a frase "voltar antes do carnaval" doeu né!  "Mas como!!" "Cê gosta tanto de carnaval!" "Como cê me abandona o 'carna' e volta pra casa assim!" Essas são algumas das exclamações que eu tenho escutado quando menciono o detalhe de voltar 1 semana antes do carnaval...

É verdade, eu adoro o tal do carnaval, mas esse ano o trem não me pegou e pelo o que me conheço não irá me pegar, principalmente porque se eu passasse carnaval seria lá em Tupaciguara e esse ano o carnaval não será como nos outros anos. Carnaval em Tupacity sem o Chita é como desfile de fantasias sem Clóvis Bornay! Não tem graça.... Vamos dizer que seja uma homenagem a esse grande cara.

Então, voltando...melhor, indo...
Com tantas idas e vindas, arruma-desarruma mala, monta-desmonta casa, eu até que sou meio tarimbada nessa atividade. Pra facilitar um pouco a vida e poder sair a qualquer hora sem muito planejamento e ou desespero, eu guardo os produto de higiene pessoal e cremes de viagem já dentro de saquinhos. Pra cada área, um  zip-lock. Tipo, produtos de manicure em um saquinho, produtos para o cabelo em outro saquinho e por aí vai. Assim, fica mais fácil abrir o armário, escolher um de cada e colocar dentro da nécessaire. 

Esse sistema é bem eficiente e rapidinho e minha mala fica pronta, independentemente pra onde estou indo! Well, nem tanto assim. Quando eu vou pra Nigéria, eu tenho que levar de tudo, até Nescafé e açúcar porque lá onde eu fico, se compra açúcar por colher e não por quilo. É a vida é dura na África e na Nigéria então nem se fala. Não tem energia elétrica todo dia, não tem água todo dia e em muitas casas, a maioria delas, não tem comida todo dia...

Como o Pê está na China, e eu só irei encontrá-lo em Amsterdam, dia 29. Então, eu estou arrumando duas malas ao mesmo tempo. É que ele não sabe ainda, mais ele vai levar algumas coisas pra mim, aí, pra ficar mais fácil pra ele, eu já estou deixando as coisas prontas. Só chegar da China, e colocar na mala previamente arrumada, as roupas que ele vai querer levar pro Brasil. Mamão com açúcar!

Deixa eu ir nessa que ainda tem muita coisa pra eu fazer! Muita coisa mesmo! E mais horas e horas e horas de vôo pra enfrentar!

8 de janeiro de 2011

Que venha 2011!

De volta à chuva e ao frio cortante de Taiwan após 1 semana no paraíso!
Chegar em casa depois de dias tão especiais não é muito fácil não, principalmente quando uma boa gripe te ataca em pleno avião. Aí fica ainda mais complicado voltar a realidade! You know, roupa pra lavar, casa pra arrumar, chuva pra me manter em casa, frio pra me lembrar que aqui não tem sol, malas esperando pra ser desfeitas e logo refeitas, vida na espreita de um ano que começou e por aí vai!

É coisa pacas! Ainda bem que eu me livrei do incomodo de resoluções de final ano ou eu estaria ainda mais afundada no que eu tenho, quero fazer!

Isso se o frio me der uma trégua!

O frio aqui me deixa "piada". É um frio cortante que entra nos meus ossos e não tem nada que me aqueça. Meu Deus como o norte de Taiwan é gelado! O que mais me espanta é que se olhar o termômetro, a temperatura mostrada será até agradável, mas devido a super alta umidade, o bicho pega. 16 graus positivos fica mais frio que 16 graus negativos e como os apartamentos são feitos de concreto e azulejo de verdade e sem aquecimento...brrrrrrruuuummmmmm!
Dá vontade de fazer como o querido vô Ribeiro fazia...pegar uma bacia, colocar sabugo de milho seco dentro, meter álcool e fogo e por na sala pra esquentar! Era uma fumaça imensa! Mas que aquecia, isso aquecia!

Então no desespero de me aquecer, eu estou com 2 aquecedores móveis ligados quase que constantemente: um fica na sala e o outro aqui no meu office, e eles até que cumprem a função de boa. Mas não é cosia simples não.

Atividades corriqueiras como tirar roupa ou vestir roupa viram atentados terroristas com requintes de crueldades porque é frio demais. É, tem um certo exagero...pouco...minúsculo! Devido à minha inexistente tireóide, a temperatura do meu corpo é um tanto quanto desregulada, pra menos ou pra mais... Mas que é frio isso é! Desregulada é comigo mesmo!

2011 começou da melhor forma possível pra mim, em todos os níveis, graças a Deus! Eu que sou cheia de superstição, acredito que o que a gente faz/passa no primeiro dia do ano, a gente fará/passará durante o ano todo. Então, casa tem que estar em ordem, gavetas e armários idem. Isso sem falar a vida em geral né!?


No dia primeiro do ano, eu estava na praia de um maravilhoso hotel 5 estrelas, The Andaman, na ilha de Langkwai, na Malásia. Que lugar mais maravilhoso! Fotos logo logo!Nossa, tem foto demais pra eu arrumar! Sooocccooorrroooooo!
E Kay, principal artista do meu studio na Nigéria, estava fazendo show a convide do grande Darey Art Alade, considerado o John Legend da África. Não sabe quem é John Legend? Oh Deus! Pra entender a importância do convite, é tipo, como se o Milton Nascimento tivesse ligado pra um artista que está começando a carreira lá em Tupacity e o convidasse pra um show. Big!! Huge!!

Como eu passei o ano novo viajando, "isso quer dizer" que eu viajarei o ano todo! Semana que vem, já estou pondo o pé na estrada outra vez. Vou a Nigéria e de lá pro Brasil. Na volta, quem sabe uma passadinha básica pela Europa. Saudade de neve...Nossa, tem alguém mais ambíguo nesse mundo que essa anfíbia aqui? Se eu tô morrendo de frio em Taiwan, como eu posso estar com saudade de neve??!! Hello!? Mas é que é diferente...

Com um começo de ano desse, com o universo conspirando a favor, com a alma e o coração em paz....que venha 2011!

27 de dezembro de 2010

Malásia

Berjaya Resort!

O sol está brilhando forte, a praia vazia, os macaquinhos correndo e pulando entre um coqueiro e outro! Não, não é um cenário tropicalista caetaneado na capa de um disco não, isso é Langkawi, uma ilha na Malásia onde eu estou agora!

Chegamos na Malásia dia 24 e a meia-noite eu estava em Penang, uma cidade famosa pela quantidade de empresa de componente eletrônico,dentro do taxi indo pro hotel, o que não me impediu de rezar um Pai Nosso e agradecer ao aniversariante por minha família e amigos que eu amo tanto!

A ceia de Natal foi comida Hindu, num buteco de rua de um país Muçulmano!

Então, de Penang pra Langkawi são 25 minutosde vôo, sobre o oceano Pacífico! Há 6 anos, mais de 50 pessoas morreram em Penang por causa do Tsunami mas aqui na ilha de Langkawi ele não passou!

Uma das piscinas do Resort


Nós estamos no Berjaya Resort e pegamos um chalé na floresta onde as portas, janelas e sacadas precisam estar fechadas 24 horas por causa dos macaquinhos que fazem a festa!

Chalés na mata são muito charmosos


O chalé fica no topo da montanha e carrinhos de golf vão e voltam conduzindo os turistas morro abaixo!

A praia é calma, tipo Ribeirão da Ilha em Florianópolis, e além dos coqueiros ainda tem uns quiosques com as espreguiçadeiras! Não tem outra né, está sendo praia o tempo todo. Ainda mais com garçon passando com cada coquetel...mais uma dose, é claro que eu tô afim!

Bom, estou blogando da praia, pelo Iphone, e agora eu vou aproveitar esse mar lindo que está dando a maior sopa!

23 de dezembro de 2010

...


Feliz Natal!


21 de dezembro de 2010

Um amor: O Atlântico

Uma vez conversando com não-me-lembro-quem eu comentei sobre a minha fascinação com o Atlântico e como ele nos une e nos separa da África. E como seria mágico a travessia desse belo oceano. Pensando que se eu nadasse, em linha reta,  eu chegaria "rapidinho" até esse continente tão rico, tão forte e tão misterioso!

Quando criança, eu sempre viajava nessas águas, nessa aventura de um dia chegar até lá não sei onde. E todas as vezes, que eu tive a oportunidade de molhar meus pés nesse mar, imediatamente a imagem de cruzar fronteiras me vinha à mente.
Pensar em ir até a África sempre povoou meu imaginário, mas devido às minhas condições sócio-financeira de uma época tumultuada, eu não me permitia que esse imaginário virasse sonho simplesmente pela frustração que, eu tinha certeza, aconteceria. Ai ai, como é bom estar errada!

Eu tenho verdadeiro "vapor" de frustração e é por esse motivo que eu me libertei de "lista de final de ano". Era muito frustrante chegar dia 31 de dezembro ou 1 de janeiro e perceber que a lista não foi completada. Aquela auto-frustração acabava comigo. Dei um jeito nisso rapidinho, que foi me libertar dessa lista assustadora. Mais isso é outro papo...

Então, nos meus tempo de UFU, Universidade Federal de Uberlândia, o meu sonho era extremamente limitado. Eu coloquei limites e cortei as asas do sonho para que a frustração não corresse atrás de mim. Eu não ousava sonhar além mares, no máximo eu sonhava em conhecer o Brasil. Nem mesmo como estudante de artes, eu sonhava em visitar os museus esparramados pelo mundo onde eu poderia ver ao vivo e a cores aquelas obras que me fascinavam. Eu não me permitia sonhar além da minha tolhida realidade para que a frustração não tomasse conta de mim.

Engraçado...eu sonhava muito antes da morte do meu pai...minha prima Silvana e eu passávamos horas dentro do carro imaginando que nós estávamos viajando por esse mundão afora...mas depois que meu pai foi embora, meus sonhos foram com ele. Parece que nada tinha mais graça. Parece...
O simples ato de sonhar doía muito e eu passei a  ficar cada vez mais longe dessa válvula de escape emocional.

E a África entrou nesse pacote, assim como as viagens aos museus e o meu fascínio em cruzar o Atlântico...Esses sonhos de pré-adolescente foram arquivados e esquecidos no arquivo morto da minha memória.

Uma vez, ainda criança, na Praia Grande, estado de São Paulo, creio que eu estava com 9 anos de idade...e eu brincava na areia, construindo castelos ao vento. Meu pai então me chamou pra arrumar nossas tralhas para voltarmos pra Santos. Estávamos em férias escolares, aproveitando o mar que Minas não tem.
Meu Deus, eu me lembro como se fosse hoje...eu fui lavar as mãos, no mar, no Atlântico. Fiquei agachada, na beira do mar, esperando a onda quebrada morrer nas minhas mãos. E veio uma onda mais forte que as outras, e eu alí, com as minhas pequenas mãos abertas, esperando a vontade do mar pra lavar a areia grudada nas mãos de tanto brincar. Quando essa onda mais forte veio, eu sorri, olhei para o Atlântico lindo enorme e disse...não precisava tanto.
Lavei minhas mãos e fui ao encontro do meu pai que me esperava logo atrás de mim...

Anos mais tarde, escutando Meia-Noite de Chico Buarque, me lembrei desse fato, quando ele traduz a minha simples fala. O meu "não precisava tanto" nas palavras de Chico torna-se "e um oceano pra lavar as mãos".
Décadas mais tarde, após cruzar o Atlântico várias vezes, já morando na Suíça, eu me sento em frente a TV, sem nenhum objetivo, ligo no canal RTP de Portugal e a linda Dulce Pontes aparece na tela com o programa "Projeto Atlântico", cantando Meia-Noite! (O "Projeto Atlântico, era um programa espetacular, que toda semana colocava juntos cantores de língua portuguesa que viviam nos lados opostos do Atlântico)

Meu coração bateu acelerado, meus olhos se encheram de lágrimas e eu fiquei muito emocionada porque novamente o Atlântico me fazia feliz. Nesse dia eu voltei no tempo, sendo aquela menininha loirinha que só queria lavar as mãos.

20 de dezembro de 2010

Tédio Dominical

Pô, o tédio do Domingo estava gigante hoje. Já estava pra apelar, quando graças a Deus eu me lembrei dessa pérola do Rappa e sartei de banda.  

Faça um filho comigo!  
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!

O tédio que eu me encontrava hoje estava daqueles de arrebentar! Daqueles enormes de comer um panetone inteiro e sozinha na frente da TV. E eu ainda estava sem dor, o que aumentava ainda mais o tédio com um T bem grande pra você, pra mim.

O lance é que eu não estava afim de sair e enfrentar o trânsito daqui num Domingo à tarde. Também não estava afim de fazer nada. Já tinha lido as revistas que comprei essa semana, Oprah and In Style. So cult!!, e também não estava com saco pra ler, pra ver TV, pra nada....Gente que dureza viu!

Aí, como uma Machado que se preze, olhei a minha volta e percebi que o chão iria ficar feliz com uma boa escovada. Ah, não deu outra. Fui até área de serviço, peguei o mop e o chão ficou limpinho em minutos. Mas e agora? O chão está limpo e o tédio sujou beleza! Nossa, não aguentei o trocadilho infame!

Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio, Domingo, Tédio,  Domingo! De  acordo com o Aurélio eles não são sinônimos, mas eu duvido. Como não?!

Chão limpo, barriga super cheia de tanto panetone, e a insustentável e insuportável missão de existir num Domingo nublado, eu lembrei que eu moro em Taiwan e como não tem bar pra gente encher a cara, tem SPA pra gente aliviar a lida!

Um SMS e alguns minutos depois eu garanti meu lugar ao sol e lá fui eu pra uma massagem revigorante de 2 horas. Sério, quando eu me mudar daqui eu terei que levar a Ciara comigo ou...o trem ficará complicado!
Cheguei no Mania e SPA e assim que e a Ci colocou os olhos em mim ela disse: Well girl, are you dead? Só ela mesma pra me fazer rir, perguntando o óbvio. Na hora, ela já me deu aquele abraço, preparou a sauna e lá fui eu pra apimentar mais um dia que tinha tudo pra ser um nada! Depois da sauna, duas horas de uma super massagem que tem o poder de revigorar a minha alma. A Ci tem umas mãos abençoadas e ela adora o que faz e faz com gosto. A danada trabalha 6 dias pro semana, das 10 manhã às 10 da noite e está sempre com um super sorriso na cara e nunca demonstrou canseira nesses 3 anos que eu frequento o SPA. Além dela ter mesmo o dom, ela gosta muito do que faz e isso faz toda a diferença.

Deitar naquela maca/cama é mais que uma massagem, é uma terapia. A Ci e eu nos tornamos amigas de infância e eu adoro a sinceridade dela. Às vezes eu chego lá achando que o mundo acabou e ela me olha e consegue com uma simples frase me mostrar o tanto que eu estava fazendo tempestade num copo d'água e na hora eu percebo o quanto eu estava sendo tola.  Ela fala o que vem a cabeça, o que eu adoro. Sem nenhum filtro e sem nenhum constrangimento, na bucha, na lata!

Esse tempo no SPA me deu vida nova. 

Do SPA, eu passei no 7/11, uma loja de conveniência dos USA, que abre 24 horas e 365 dias por ano. Comprei meu leitinho, coca zero, cartão pro meu Iphone e suco de cranberry pra fazer um Cosmopolitan, aquele famoso coquetel do Sex and the City que por sinal ficou maravilhoso de gostoso.

Dirigindo de volta pra casa, mais ou menos umas 9 da noite, eu passei em frente ao Centro Cultural e estava tendo uma apresentação de teatro ao ar livre.  Óbvio que parei o carro e fui assistir! O palco estava lindo, muito colorido e uns 10 atores em cena. A produção parecia de uma ópera de tão requintada. Era um musical, mas eu não sei qual peça estava sendo encenada. Estava tudo muito bonito e bem produzido como dá pra ver nas fotos abaixo. A platéia estava toda absorvida por aquele duelo de espadas e brilho. 












Parafraseando Forrest Gump, Taiwan é como uma caixa de chocolates, a gente nunca sabe o que vai encontrar...por isso, ao sair de casa, tenha sempre uma câmera na bolsa, tenha sempre os olhos atentos ao inesperado, e o coração aberto à beleza da diversidade!


17 de dezembro de 2010

Aonde tenha sol

Meu Deus que frio, que gelo! Como que alguém pode ficar com tanto frio assim, sendo que lá fora, ou aqui dentro sei lá, está somente está 10C!!

Pensando bem, 10C é frio. Mas o lance é que eu já estava "acostumada" com os -20C da Suíça. Que tem uma explicação, isso tem....Mas quem disse que tremendo como eu estou, eu quero lá saber de explicação!!

Aqui em Taiwan, não tem aquecimento nas casas, o que não é algo assim tão distante pois por uns 30 anos da minha vida eu vivi sem aquecimento e não sei porque essas reclamação. Mas aqui é umido demais, e eu quero dizer demais da conta mesmo!
Nesse exato momento, 1:20 da manhã de sexta-feira do dia 17 de dezembro, a umidade é de 86%. O desumidificador está trabalhando puxado o dia todo pra tentar  retirar um pouco essa água toda mas o bichinho não está dando conta não.

Os dois aquecedores também suaram a camisa, coitados. Eles são portáteis e onde eu vou eu os levo. E aí, tento deixar os pés menos frios. 

A janela do meu quarto, hoje de manhã.



Aqui somente tem duas estações, uma muito chuvosa e outra menos chuvosa e a estação muito chuvosa começou com força total como dá pra ver na foto acima. Não é que aqui chove aquelas toros de lágrimas que a gente está acostumado lá no cerrado mineiro. A chuva aqui é mais pra uma garoa intensa que não passa nunca. Detalhe, nunca quer dizer uns 3 meses.

Só sei que eu estou com  muito frio. Pijama de flanela, Victoria Secret claro, tenta aquecer mas não consegue. Chocolate quente também faz parte do kit de sobrevivência mas assim que a caneca fica vazia, o frio volta pra dentro de mim.

Aném, parece que eu estou em Floripa, na década de 90! Pô, aquilo era frio demais! Como eu sobrevivi ao vento sul eu não sei! Aquele frio era cortante e eu não tinha as roupas certas, então eu parecia mais um robozinho com camadas e camadas de roupas e nada de me sentir aquecida.

Ai que bom que eu me lembrei disso. Até deu pra sentir um alívio no calafrio! 

Nessas horas de frio intenso, eu sempre berro "Aonde tenha sol, é pra lá que eu vou. Lá lararará, lararará!!" 


E é isso mesmo! Daqui uns dias eu vou para o sol, já que o sol não vai dar o ar da graça aqui por um bom tempo. Mas agora, agora eu vou é fazer meu chocolate quente e me enrolar no meu edredon e "drumi", como diria a Vó Maria!

14 de dezembro de 2010

Parabéns!


3 anos em Taiwan!
Heheheheheh

Um Toque Manual

Eu não sou nem de longe habilidosa com as mãos. Sou um desastre pra fazer minhas unhas, pra arrumar meu cabelo, e por aí vai. A lista é imensa, acreditem!
Isso sem contar que de um tempo pra cá, por causa da Fibromialgia, as coisas andam caindo muito da minha mão. Apesar de habilidade não ter muito a ver com equilíbrio... Não sou eu que as deixo cairem não, elas simplesmente pulam, despencam, assim do nada! A última catastrófica cena, foi em Rennes, na França, na casa do Gustavo e da Natália.
Manja: primeira vez que eu fui a casa deles isso sem contar que eu só tinha sido apresentado ao Gustavo há usna nos atrás. Bom, como eu adoro cozinhar eu fui toda serelepe ajudar e não é que eu fui colocar um pernil de porco com ameixas no forno, e o pirex escapuliu da minha mão? Eu chorei como criança! De soluçar mesmo!

A dor maior não foi a vergonha da minha "arte", mas a real razão pela qual eu perdi a força da mão deixando o lombo se espatifar no chão. Ops, os lombos, eram 2!

Bom,  apesar de toda a negação na área de trabalhos manuais, eu até que tenho a mão boa pra plantar. Não tenho o dedo verde e estou muito longe disso, mas tem algumas plantas que gostam do meu jeito estabanado de ser e a gente até se dá bem. E por causa dessa "habilidade" eu comecei a me interessar por montar vasos com uma variedade diferente de plantas, o que é muito comum por aqui.

Hoje eu resolvi arrumar uns vasos aqui de casa. O sol não entra muito no meu apartamento a não ser pelo meu quarto,  então as plantas precisam ser escolhidas criteriosamente para não morrerem na primeira semana. Acontece que eu não tenho muito saco pra escolher coisas dentro de um critério pré-estabelecido e aí minhas escolhas são feitas pela emoção que essas plantas me transmitem. 





Quando eu estou trabalhando nos vasos, eu gosto de uma certa dualidade para que o vaso possa ter mais vida. Tamanhos diferentes, texturas diferentes, cores diferentes estão sempre presentes e também algum material surpresa como conchas, madeira, pedras para quebrar a linearidade da composição.

Esses dois vasos são pra sala e amanhã quero ver se faço mais uns dois pra área de serviço.

Aqui na Ásia os arranjos são simplesmente maravilhosos e muito originais e eu fico babando. Os vasos com planta aquática são divinos, mas não funcionam no meu apartamento por causa da escassez de luz, o que é uma pena...já fiz várias tentativas e em menos de uma semana as plantas suicidam. Aí é o maior drama!

 Eu gosto de por a mão na terra, de separar as plantas e começar a compor o vaso do nada, prestando atenção no que ele pede. Às vezes o vaso sai todo minimalista deixando Malevich orgulhoso e às vezes o barroco impera. Tudo depende do momento que o vaso está nascendo, da música que toca, da estação, do clima, enfim....

Agora é torcer para que as plantas gostem aqui de casa e fiquem um bom tempo alegrando os dias cinzas que estão batendo à porta!

9 de dezembro de 2010

Massagem contra gripe

Meu jantar do restaurante Arches, comida Tailandêsa!
 Hoje eu passei melhor o dia, até me arrisquei a ir ao SPA. A Ciara me intimou, dizendo que se eu não fosse ela viria me buscar! Muito querida ela!
Cheguei ao SPA Mania como se eu tivesse sido atropelada por um imenso caminhão.  As meninas só faltaram em carregar. E como o friozinho está batendo à porta, e eu estava com febre, minha cara estava ainda mais assustadora. O xale enrolado no meu pescoço pra proteger do vento forte estava dando um ar dramático e aí as meninas ficaram preocupadas.
Aí logo já entrei pra sauna, chazinho quente e a Ci disse que iria fazer massagem Ayurveda pra desintoxicar e me ajudar a recuperar mais rapidamente da gripe.
Uma hora e trinta minutos sendo muito bem cuidada! É bom demais demais! Não é só a massagem que me faz muito bem, mas principalmente o carinho das meninas comigo. Aquele calor humano faz muito bem pra alma da gente!

Bom, hoje eu não tinha comido nada além do café e eu saí do SPA já estava noite. Numa hora dessa é que dá saudade de Uberlândia, Apesar de aqui ter no mínimo uns 10 mil restaurantes a mais e as cidades são mais ou menos do mesmo tamanho, é a comida de Minas que me acalanta, que me faz um bem. Eu estava com fome, mas não estava afim de cozinhar e muito menos de lavar louça. Eu só queria comer algo que eu gostasse muito pra fechar a noite com um sorriso no rosto cansado de febre.

Não é segredo pra ninguém que eu amo, adoro de paixão comida Tailandêsa e no caminho de volta, passei pelo restaurante Arches que fica na mesma rua do SPA. O local estava cheio, mas não demorou muito e eu já tava voltando pra casa com minha jantinha na sacola.

 Engraçado, toda a vez que eu pego comida pra trazer pra casa eu me lembro de um cena muito patética que aconteceu comigo lá em Uberlândia, no Cemter Shopping.

Eu fui levar a Maria Luíza, minha sobrinha, ao cinema. Achamos um lugar legal pra sentar, e ela ficou me esperando e eu fui buscar pipoca e coca-cola.
Fui lá no bar do cinema, fiquei na fila e quando chegou a minha vez fiz o pedido e fiquei esperando. A menina então me entregou dois pacotes enormes de pipoca e 2 coca-colas gigantes. Eu que sou extremamente desajeitada pra carregar algo fiquei olhando pra ela, esperando que ela colocasse o pedido em uma bandeja de papelão que acomodasse pelo menos os copos como essa da foto abaixo.



A menina me olhou e perguntou se eu não iria pegar o pedido. Eu disse que eu estava esperando que ela embalassem meu pedido e para meu espanto ela disse que não tinha nenhuma embalagem não. Aí vem a parte que até hoje eu dou risadas quando eu me lembro. Eu perguntei como eu iria carregar aquilo e ela olhou pra mim fazendo os gestos e disse assim:
-"uai moça, cê põe um saco debaixo dum suvaco e o outro saco debaixo do outro suvaco, fecha os braço pra firmar os saco e com as mão cê segura os copo uai"
Ai ai, eu não acredito até agora que eu escutei isso e é lógico que eu não coloquei os sacos de pipoca "no suvaco"! Eu fiz duas viagens!

Bom, peguei a sacola com a comida  toda acomodada nas embalagens que não deixam nada vazar e/ou transbordar e voltei pra casa me sentindo muito, mais muito melhor porque não tem nada melhor pra curar um gripe forte e chata que as mãos mágicas da Ci, um suco de manga com laranja e uma comida quentinha!




Tudo embalado perfeitamente
Goootooosoooo!
Rolinho Primavera, Arroz Tailandes, Vagem Com Pasta de Camarão e
Franco Com Vagem Ao Molho de Coco!
Bom Apetite!!

7 de dezembro de 2010

Dodói! Again!

Sniff sniff

No sofá o dia todo pelo jeito! Sniff sniff
Oh boy, isso que dá ficar na balada até altas horas da madrugada....peguei a maior gripe! Aí que chato! E logo agora que eu estava me sentindo tão bem com o break que a D. FM  resolveu me presentear!

Tudo dói! Eu tenho febre e parece que estou alucinando também...altas horas na balada! Yeah, right?!
Dor, febre, calafrios, tosse, espirro, nariz escorrendo...

Sniff sniff! Alguém por favor, faz um chazinho pra mim!

6 de dezembro de 2010

Hoje é Domingo...

"Hoje é domingo pede cachimbo
Cachimbo é de ouro bate no touro
O touro é valente bate na gente
A gente é fraco cai no buraco
O buraco é fundo acabou-se o mundo."


Acabou-se o mundo...Foi assim mesmo que me senti hoje quando sai na rua pra tentar sacudir um pouco a poeira do tédio de um dia de Domingo. Não, Faustão não faz a menor falta, graças a Deus! Mas dá-se a sensação que o mundo acabou ou vai acabar logo logo pelo frenesi do povo na rua.

Acordei cedo, juro! Acordei lá pelas 8 da matina depois de uma boa noite de quase 10 horas de sono. Tomei remédios, café, tomei mais remédios, arrumei casa, lavei as roupas que não vão pra lavanderia como calcinha, cueca, toalha, roupa de cama. Lavei a louça, liguei o computador, li alguns artigos na Folha, UOL, Blogs e aí que a porca começou a torcer o rabo. Ai que tédio com um T bem grande pra mim mesma!

Nada na TV me apetecia. Nada no computador chamava minha atenção. No Brasil e na Nigéria todo mundo dormindo...ai que coisa! 
Hesitei bastante, mas resolvi trocar de roupa e sair. Hesitei porque normalmente Taiwan é extremamente cheio de gente, de carro, de lambreta e no Domingo a tarde então, é raríssimo achar uma cadeira num café ou uma vaga para o carro. É como se fosse véspera de Natal no Brasil. Sério!! 
Um país com a segunda maior densidade demográfica do mundo, quase 700 pessoas por Km/2 e uma frota de mais de 7 milhões de carros e mais de 15 milhões de scooter (lambreta), não podia ser diferente! O trem aqui não é brincadeira não. Detalhe, dia 17 faz 3 anos que aqui chegamos e eu nunca vi nenhum outro estrangeiro dirigindo aqui a não ser o Pê e eu. Trânsito é uma loucura, literalmente e eu conto depois!

Então como eu sou uma sertaneja e antes de tudo forte, resolvi enfrentar o tédio assim mesmo e vazar. Caso o plano inexistente furasse pelo menos eu tinha saído de casa por algumas horas, sem contar que sair na rua aqui pode ser tudo mesmo tedioso! 

Com Jay-Z animando a "viagem", saio eu toda esperançosa de encontrar um lugarzinho pra tomar um capuccino. Primeiro café, lotado. Dei a volta na quadra 2 vezes e nada de encontrar um lugar pra estacionar. Segundo café, a mesma coisa. Terceiro, nada! Aí resolvi ir a um café em um centro comercial, pelo menos o estacionamento é maior. Meu anjinho do tráfego estava atento e me arrumou um espaço perfeito. 

Estacionei e fui para o Starbucks que tem um jardim super charmoso feito com as plantas que o supermercado vende. 

Café Starbucks do supermercado Géant!

Detalhe: lotado! Lotadíssimo, com fila pra pedir e tudo. A foto acima é de quinta-feira da semana passada!

No mesmo espaço do supermercado tem o Ikari, um outro café até legal. Ai que bom, mesa vazia! Pedi um cappuccino, que vem coberto com pó de canela finíssimo, que é uma delícia! 

Cappuccino do Café Ikari
Peguei meu leitinho e fui pra mesa lá fora onde eu tinha pensando em me sentar. O dia estava bonito, ou seja, sem chuva, e eu estava com muita vontade de sentir o "outside" porque eu tenho ficado muito tempo dentro de casa. Como felicidade de pobre dura pouco...Mesa vazia tinha, mas todas as outras estavam ocupadas for fumante. Aí não dá! O jeito foi sentar do lado de dentro mesmo. 

É muito legal ver como os Taiwaneses gostam de sair de casa. Todas as idades, todos os estilos e lá vão em eles, em grupos, lotarem os cafés e restaurantes da cidade. E o burburinho é imenso, porque eles falam muito alto. Mais que os brasucas! 
Ao meu lado tinha uma criança linda, apesar que criança linda é pleonasmo aqui. Aí como diz o Pê, eles crescem e viram umas coisas feias....Pêêêêêêêê!!!!!!! Ela me olhava como se tivesse uma nave espacial do meu lado. Vai ver que tinha e eu não me dei conta! 3 anos aqui e ainda sou olhada diferentemente. Eles nunca acostumarão com um ocidental tão a vontade no oriente...

Bom, dirigindo pra casa eu resolvi procurar um restaurante Vietnamita que eu vi uma vez, mas que tinha se perdido em alguma janela dimensional por aí. Por vários dias, várias horas eu já vasculhei e nada, mas dessa vez eu estava sentindo que iria dar certo. E deu!! Eu achei o danado e agora eu não o perco mais! Pensei em parar pra comer os famosos "fresh spring rolls" que eu amo de paixão, mas quem disse que tinha vaga nos estacionamentos da redondeza! Amanhã ou depois eu vou lá!

Rolinho primavera fresco, com molho de amendoim! Que delícia!!!!

Isso é uma das comidas mais gostosas que eu já tive o prazer de saborear. São vegetais frescos como alface, hortelã, cenoura, cilantro, noddles e as vezes camarão. Aí enrola tudo como uma panqueca no papel arroz, mais conhecido como "banh trang"! Minha boca já está cheia d'água!!!

No caminho pra casa, o que eu vejo? Os deuses passeando! É isso mesmo! Aqui em Taiwan, os deuses são levados de um templo ao outro toda semana. É uma procissão maravilhosa, alegre e muito colorida. Os bonecos que representam os deuses são muito parecidos com os bonecos do carnaval de Olinda, em Pernambuco! 
Eu particularmente acho muito bonito! Todas as vezes que eu encontro uma procissão dessas, eu sigo o cortejo, não tem outra! 
Aqui os deuses "funcionam" como os santos no Brasil. Em Taiwan tem mais de 80 mil templos porque cada bairro tem o seu, e normalmente cada quarteirão também tem o seu próprio. Quando se muda de um local para outro, as pessoas vão e pedem permissão ao deus daquele local pra mudança e pede proteção ao deus do local onde será a nova residência! Meu condomínio tem um templo só pra ele que é o o deus da terra. 
Detalhe, deus não é Deus! Os deuses são "ajudantes"!

Eu parada no sinaleiro esperando a procissão passar.

A polícia interdita uma pista, mas a muvuca não para nunca.
Em frente às casas por onde os deuses passam, tem sempre um altarzinho com frutas, flores, incenso e dinheiro dos espíritos para ser queimado em oferenda aos mortos para que consigam uma vida melhor e assim também ajudarem os familiares que ainda não morreram a terem sorte nos negócios! Mais de 90 mil toneladas de dinheiros dos espíritos são queimados aqui anualmente! Dizem que em alguns locais essa prática é proibida!

A rua é estreita, e os queimadores estavam trabalhando a todo vapor.
De longe se via as labaredas!
Toda a família fazendo oferendas!
Os alteares são montados na rua, em frente ao comércio e residência.
Os deuses pararam neste templo pra realizar suas danças. Tinha uma fila enorme de carro atrás de mim e não deu pra estacionar pra tirar melhores fotos, apesar da polícia ter colaborado comigo!
A coreografia é linda!
Eu adoro ficar olhando essa manifestação cultural-religiosa tão importante em Taiwan. 
A música é bem animada e os deuses rodopiam freneticamente pelas ruas!


Normalmente os deuses são levados a outros templos toda semana. Em questão de minutos, um grupo de umas 50 pessoas, do nada, deixam seus afazeres e toda a parafernália e montada e a procissão começa. A dispersão também é super rápida! 

Saindo daí, eu resolvi voltar direto pra casa e parada no sinal, eu vi essa coisinha linda, fazendo charme pra ser fotografada ou fotografado!

Como eu disse, sair na rua aqui pode ser tudo mesmo tedioso!

3 de dezembro de 2010

O pão nosso...

Ontem eu fui ao Carrefour repor a despensa, até parece que eu tenho uma, e fiquei encantada e preocupada com a sessão de pães. Esse supermercado francês está interferindo demais na alimentação Taiwanesa. E a cada dia essa interferência aumenta.

Há 3 anos quando eu cheguei por essas bandas, havia as inúmeras padarias/cafés mas a quantidade de pão ainda era tímida, mas agora o Carrefour do meu bairro está fazendo inveja ao Carrefour de Mulhouse. Mulhouse, é cidade fronteira com Suíça e Alemanha, onde eu ia 1 vez por mês fazer compras, já que o Coop de Baden, supermercado Suíço da cidade que eu morava, parece/ia supermercado no Brasil na década de 80 e não tem manteiga Président!!! Aqui em Taiwan tem! É fácil demais ser feliz, meu Deus do céu e a gente complica tanto....

Voltando a vaca fria...A preocupação com o pão faz sentindo. Asiático em geral não usa forno; quando se aluga/compra uma casa, a cozinha que já vem montada, não tem forno pela simples razão de ninguém usar esse equipamento tão presente nas nossas vidas brasucais. Alias, é raríssimo encontrar um/a Taiwanes/a que cozinhe em casa. Eles fazem as refeições nos locais de trabalho e na rua porque esse povo come o dia inteiro e eu não estou exagerando. Só vendo mesmo pra crer!

A comida aqui é sempre preparada naquelas panelas que nós chamamos de "wok". Aqui o nome dessa prática "panela" é que quer dizer "guō" que literalmente significa...advinha, advinha...Panela!

Forno nunca é usado e pão nunca era comido. Mas agora, eu sinto que Taiwanês está competindo com Francês na quantidade de pão que se leva pra casa toda noite. Pão é algo novo por esse lados! De acordo com minhas meninas, elas passaram a  comer pão quando já estavam com uns 8 anos, ou seja, pão entrou em Taiwan há uns 15 anos, no máximo!

Detalhe da padaria do Carrefour

É muito pão meu irmão!!

Antropologicamente pensando, será que uma rede de supermercado tem tanto poder assim de mudar os hábitos alimentares de um país? E se tiver, será que um dia vai cair na real e perceber que influência é uma coisa e mudança é outra?
Tudo bem que pão é uma delícia, mas eu não acho legal essa imposição. Taiwanês rico adora o estilo francês de ser, e tenta seguir a linha européia, tanto que o centro de Taipei onde tem o prédio 101, é chamado de Centro Europeu. Mas daí a mudar a ordem natural sem ter nenhum comprometimento com ela é um tanto quanto sacana!

Eu só sei que a cada dia a padaria do Carrefour aumenta em tamanho, em quantidade e o que melhor, puxando a sardinha pro meu lado, em qualidade.

Olha só o que eu achei ontem? Pain aux raisin! E detalhe, quase igual ao francês! Ai, é bão demais da conta! Melhor que isso só pão de queijo da minha mãe. Aliás eu já falei, se ela mudar a receita algum dia eu a declaro judicialmente incapaz, porque só quem perde o juízo muda uma receita daquela!! Eu acho que o pão de queijo da minha mãe tinha que ser declarado Patrimônio Cultural Brasileiro!

Pain aux raisin do Carrefour! Não dá pra acreditar!



Eu fui a uma padaria em Siem Reap, Camboja, chamada Blue Pumpkin, Moranga Azul, e quando eu vi "pain aux raisin" meu coração quase deu um treco. Ah, eu também tomei um sorvete nesse lugar que estava ma-ra-vi-lho-so: crème glacée d'épices, sorvete de especiarias! Até um saborzinho de pimenta tinha. Meu Deus do céu, que sonho de sorvete!

Então, lá em Camboja é comum pão! Se come muito pão, a todo momento tem algum Cambojano comendo pão, ou comprando pão ou vendendo pão. Mas lá dá-se um desconto porque o país foi colonizado por Franceses, mas achar isso aqui é um grande presente de papai noel!!

 Pão em Phnom Penh, Camboja!